Cooperativismo 2.0

Crowdsourcing, crowdfunding, colaboration, co-creation, co-working…..são palavras a cada dia mais comuns entre os jovens empreendedores. Quando ouvimos alguém pronunciá-las ou soltá-las nas redes sociais e em revistas e entrevistas soam como inovação, futuro, algo novo ou ainda iniciante ou mesmo para ser desvendado ou descoberto.
As novas gerações não percebem que tudo o que andam falando pode-se traduzir em uma palavra: cooperação, o ingrediente básico do Cooperativismo. Algumas das ideias chegam a reprisar, em parte, as dos “Precursores do Cooperativismo” que escreveram sobre os melefícios e descalabros do mercantilismo e do capitalismo e fizeram propostas que pudessem resolver problemas dos trabalhadores explorados, propondo nova ordem e modelos que convergiriam para a formação dos princípios e doutrina do Cooperativismo, como temos até hoje. Robert Owen (1771–1858) escreveu: “o objetivo primordial de toda a existência deve ser a felicidade, mas a felicidade não pode ser obtida individualmente”.
As manifestações de cooperação, de hoje, seguem às de milênios e que garantiram nossa sobrevivência para vencer dos desafios de produção alimentar e de segurança que hodiernamente, com a velocidade das comunicações e da reprodução acelerada do conhecimento faz com que até tanto as novas como as velhas ideias recicladas tenham mais êxito de ser implementada se forem concebidas, construídas e difundidas de modo colaborativo como as do 28 tecelões, que 1844 em Rochdale/Manchester/Inglaterra constituíram a primeira cooperativa do mundo estruturada nos princípios do Cooperativismo de que foram autores e seguidores e que continua viva até hoje.
Da cooperação para o Cooperativismo é apenas um passo. Ao acrescentar à cooperação as atividades política e econômica, ou seja ao posicionar a cooperação dentro de um movimento ideológico favorável às questões comunitárias, com os ingredientes da solidariedade e da ajuda mútua, bem como ao adicionar à cooperação e aos princípios da solidariedade as práticas econômicas (compra, produção e venda de bens e serviços), gerando oportunidades de trabalho digno e renda sustentável, temos a cooperação se transformando no Cooperativismo.
Na verdade as belas (e muitas vezes incompreensíveis) palavras iniciais do texto podem enfocar a ajuda mutua para se produzir coletivamente… e lucrar coletivamente, nem sempre se limitando seus autores ao enriquecimento próprio. Há ideias que podem revolucionar o mundo, preservando o Planeta e tornando mais humanos seus habitantes. Pode ser incialmente até um evento onde o capital financeiro prevalece sobre a capital social, mas sua sustentabilidade financeira pode ser garantida pela sustentabilidade social que lhe dá conteúdo e o fideliza.
O cooperativismo une pessoas. O capital é apenas um meio utilizado para incrementar a união de forças, fazendo que a força da união redunde em benefícios para todos os colaboradores associados. Com as mudanças ocorrendo a uma grande velocidade, impulsionada pela grande comunicação e interação entre pessoas fazendo a cada dia surgir mais estímulos à cooperação, e o conhecimento crescendo exponencialmente está na hora de nós cooperativistas do mundo ficarmos mais atentos a essas manifestações de co-operação virtual e trazê-las para o ambiente cooperativista, unindo grupos e redes sociotécnicas na grande rede mundial do Cooperativismo.
O cooperativismo cibernético já está iniciado. Cabe apenas transformar os novos empreendedores em cooperativistas, dando-lhes mais qualidade às suas relações com os associados e colaboradores e com a sociedade, à vista dos 7 (sete) princípios do Cooperativismo e de outros que ACI propuser, neste esforço de adaptação ao nosso tempo, sem perder a essência dos fundadores
A propósito devemos mencionar que em outubro de 2013 o Brasil sediou o IV Encontro de Promoção, Desenvolvimento, Regulação, Supervisão e Crédito Cooperativo e a XVIII Conferência Regional ACI Américas com o tema “A Década Cooperativista: Cenários e Perspectivas, ambos promovidos pela Aliança Cooperativa Internacional das Américas.
O evento objetivou “unir e articular organizações definidas como cooperativas das Américas para o modelo de negócio econômico, que em 2020 se consolidará como líder reconhecido da sustentabilidade econômica, social e ambiental, o modelo preferido pelas pessoas, e do tipo de organização empresarial que mais cresce.”
Todavia, para alcançar essa utopia cooperativista, que podemos denominar Cooperativismo 2.0 é preciso integrar pessoas, principalmente a grande legião de jovens empreendedores comprometida com a cooperação e transformá-los em cooperativistas, quebrando muitos dos paradigmas existentes e as barreiras do mutável conhecimento e da absorção de novas tecnologias de TI que pertencem a esse universo de jovens empreendedores e que podem ser qualificados para melhor no momento que absorverem e praticarem o Cooperativismo.
Taynah Reis, empreendedora e cooperativista
