O Dia das Mães proporciona uma reflexão sobre o valor do papel duplo que mães agricultoras exercem na data. Em razão das mães, o comércio movimenta grandes quantias. E como sabemos que são as mães do campo as maiores responsáveis por colocar produtos na mesa de comunidades inteiras, em grande parte são elas quem abastecem o próprio mercado com presentes.

A expectativa para 2018 é que as vendas no Brasil alcancem R$ 10,8 bilhões em razão da data, que é a segunda de maior representatividade no comércio brasileiro, perdendo apenas para o Natal. Aumenta a procura por flores, produtos para cestas de café da manhã, chocolates e outros, que promovem o aumento de rendimentos e a esperança pelo equilíbrio das finanças na agricultura familiar.

É nela também que homenageamos aquelas que além de cuidar da terra, tem cuidados com o lar e o desenvolvimento dos sucessores do trabalho no campo. Para as mães que trabalham em todo mundo, o desafio de trabalhar e criar crianças é comum. Para as mães do campo, este desafio tem elementos adicionais.

Ao serem perguntadas sobre as suas necessidades, é frequente o pedido por ajuda para criar seus filhos. O menor acesso a creches e pré-escolas na zona rural prejudicam a sua dedicação ao trabalho. A proximidade das crianças com maquinários e ferramentas que oferecem perigo, demandam atenção redobrada durante a sua jornada e uma rotina estressante.

A forma admirável em como elas lutam todos os dias para garantir segurança para a família e desenvolver seus filhos na zona rural merece reconhecimento efetivo. Nós da Moeda, estamos cientes dos desafios que uma mãe do campo enfrenta e da sua contribuição para a agricultura familiar, para o desenvolvimento de um mercado sustentável e para a segurança alimentar em todo o mundo. Por estas razões e pelo conhecimento do comprometimento da mulher quanto ao crédito, fomentamos o empreendedorismo rural feminino.

Muitos são os dados que corroboram para o direcionamento estratégico da Moeda em apoiar projetos de cooperativas de agricultura familiar. Desde sua relação com a família, empréstimos e seu impacto no desenvolvimento local.

A começar, de acordo com estudos do Banco Mundial, as mulheres tendem a pagar em dia seus financiamentos, reduzindo assim o risco dos investidores. Por serem mães, elas se preocupam muito com suas famílias, investem 80% da renda adquirida no bem-estar familiar e suas decisões de longo prazo são melhores.

Já a MicrocreditSummit, que é uma Conferência Global sobre Microcrédito, vem produzindo relatórios desde 1997 e todas as edições relatam que “as mulheres têm muito mais agilidade e credibilidade no pagamento de suas dívidas, consistentemente.” (Resultado de 1997/1998). O argumento é apoiado repetidas vezes por agências bilaterais e multilaterais de apoio ao desenvolvimento, incluindo o Banco Mundial” […] nossa experiência indica que a amortização da dívida é maior entre as tomadoras de empréstimo, devido principalmente aos investimentos mais conservadores e aos riscos morais mais baixos. (Banco Mundial 2007:124)

E além de desenvolverem o pequeno negócio no campo, essas mulheres geram vidas que darão continuidade ao plantio e à produção de alimentos que vai para a mesa nas cidades. Sem a formação de novas famílias e a melhoria na qualidade de vida de mulheres como Dona Divina (Cooperval), Sandra (Cooperfamiliar), Cláudia (Cooperfamiliar) e tantas outras, a soberania e a segurança alimentar estão em risco.

As cooperativas agrícolas são fundamentais para garantir o sucesso destes negócios e são através delas que o Programa Moeda Semente levará transformações para o campo, gerando um retorno para a comunidade que vai além do financeiro, buscando um equilíbrio entre o negócio e o bem-estar de cada integrante, majoritariamente feminino (52%). No mundo cooperativista, as atividades se ajustam à rotina das mulheres e as fortalecem para o negócio, além de auxiliar na formação de redes femininas de apoio.

A estas mulheres admiráveis, nossa homenagem e nossa dedicação. Estamos trabalhando todos os dias para mudarmos a realidade do campo.

Fontes: Moeda Semente, Fecomércio, The Female Farmer Project, FAO e MDA — Ministério do Desenvolvimento Agrário.