História

Essa semana localizada num espaço-tempo completamente desgastante da minha experiência vivida, me deparei com um texto que salientava a importância de um estudo descritivo que marca uma certa cronologia no desenvolvimento dos fatos que compõem a existência da cultura humana. Senti, então, um desejo intenso de marcar mentalmente o percurso da minha história e cheguei a um lugar interessante. Na formação do corpo presente atrás dessa tela, houve um momento marcante que fez parte do que sou nesse breve instante — sim, porque a velocidade com que me reconstruo é altissima. Posso descrever esse momento anima et sense; demorei anos para descobrir o significado semântico dessa pequenas palavras, mas foram elas que me lançaram no universo em que me introduzi e, jamais saí. Era esse o tema, digamos assim, daquela história que tocara a minha com a sua poesia. Aquela história me fez despertar para um tom que nascera comigo, à flor da minha pele.

*

Inacabado.


Agora me encontro em outro momento de minha história, agora já é outra pessoa que fala. E é engraçado que eu tenha escrito essa semana mesmo um poema sobre histórias e estórias e nem me recordava disso que comecei há tempos longíquos. Eu ia falar daquele anima et sense; mas talvez isso não seja de fato tão importante quanto, naquela época, eu acreditava que fosse. Eu tenho esse hábito de calcular errado a influência de outras historias em minha vida, eu as superestimo. Mas me pergunto onde eu estaria se a poesia não tivesse entrado em minha vida dessa forma. A verdade é que talvez eu seja boa com as palavras e fosse de qualquer forma, seja lá de que forma a poesia tivesse aparecido por aqui.

Eu me sinto a vontade com a minha escrita, é como voltar para casa. Acontece que a poesia e a história estão, de certa forma, distantes uma da outra. E eu sou dada à poesia. Não há nada histórico em mim, há mais estórias que invento diariamente. Eu sou uma pessoa nova a cada dia, e sou muito boa em transformar a minha realidade, sou muito boa em viver cada uma delas e criar sempre uma nova.

Talvez eu tenha inventado esse papo de anima et sense, como se eu precisasse de um mestre, como se eu já tivesse sido a musa da poesia de alguém. Eu sou todo dia a minha musa inspiradora, e eu só escrevo bem quando falo de mim. Então, talvez esse mestre poeta tenha sido alguma parte de mim mesma, alguma estória, algum personagem em que mergulhei. E, afinal, quanto de nós existe no outro projetado?

A história está escrita na pele da minha poesia, basta tocá-la para apreender a história real , ou melhor, ser tocado por ela — na real, o factício importa? há mais fatos reais nas estórias que inventei que na realidade vivida — . A história é que há sutilezas vívidas, imperceptíveis na minha carne poética. Há sutilezas esquizofrênicas, mas estão todas aqui e ali. Basta descobrir. Então, aqui não tem nenhuma história que seja visível a olho nu, e eu mudei de novo a História, porque ela é minha. E ela é agora muito diferente do que quando a comecei, do que quando iniciei sua escrita naqueles tempos longínquos.

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