selvática mulher sagrada

desde os dezesseis não escrevia com a alma

desde os dezesseis não dançava com a alma

mas depois dos vinte e sóis a terra deu vida às árvores

com seus braços e mãos feitos de galhos e folhas

me puseram à bailar entre serpentes e arco-íris

me entregaram de volta o poder da criação

e com o fogo sagrado ardendo em minhas mãos

voltei a ser menina, voltei a ser mulher e anciã

aprendi a escrever com o ventre em sangue,

minhas letras vermelhas coagulam

minh’alma sangra poesia

minha poesia escorre para a terra

meu sangue ora poético, ora profético

valsa com a árvore em meio a jogos de cartas

no jardim e na árvore que também são min’alma

Floresço em verde e terra vermelha

no sangue da intuição que brota suas folhas e flores vermelhas na floresta.

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