Você tinha cheiro de poesia,

e se eu inspirasse sua textura

PROFUNDAMENTE

expirava versos musicais,

quando eu tocava sua pele

com as rachaduras dos meus lábios

engolia palavras que me transbordavam

os olhos

há uma versão sua morando no meu olhar

seus olhos

quando mergulhava neles

enxergava uma infinidade de figuras de linguagem

das mais raras espécies.

você é a metáfora do paraíso

eu me aventurava a dançar

no tecido de sua córnea

me equilibrava à fim de te significar

transpor teu gesto divino à poesia.

você tinha um gosto de poesia,

quando minha língua tocava suas letras

eu podia sentir as palavras tocarem o céu da minha boca

e me causarem um efeito psicoativo delirante,

eu podia sentir as estrofes de sua poesia

derreterem na minha saliva,

mastigava sua textura

Numa sensorialidade exagerada

agora fantasmagórica

eu sentia sua poesia adentrar-me os poros a me dilacerar

experienciando o sublime de sua arte elevada,

de seu espírito morando em mim

que vibrava sob a minha pele que ardia

no teu desejo de me finalizar.

O inacabado sintetiza novas substâncias

falsa felicidade nadando em minhas veias

os impulsos elétricos morrem antes de chegar ao meu cérebro

que ficou esquecido naquela memória de teus anos

há anos atrás

alguém…

Traz de volta a imagem de teu rosto a caminhar sobre as pedras

onde me puxavas pela pontas dos dedos

eu caía para trás com o corpo pesando 100 toneladas

apenas por ter soltado tua mão

naquele gesto leve e frágil

o toque à ponta dos teus dedos…

tentava acessar os teus mistérios de planetas desconhecidos

detrás do universo desse olhar

e caí.

como quem cai de um prédio enquanto dorme

e os pés já não sentem mais tocar o chão

e acordo.

Acordo num susto endurecido

pelo vazio do quarto e da sala de estar.

Onde é que voce está?

Em qual poesia e esqueci?

Em qual posso te buscar?

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