Esse não é mais um texto sobre o Bolsonaro.

Já falei bastante sobre ele. Os jornais falam. As ruas falam. O mundo inteiro fala. Eu poderia escrever um texto sobre pontos que eu discordo do deputado talvez-presidente. Poderia debater com argumentos, dados, notícias, vídeos, áudios e qualquer mídia que o século XXI nos proporciona.

Mas hoje eu não vou falar do Bolsonaro.

Hoje eu vou falar de mim.

Desde que eu tenho idade pra votar eu sou ligada em política. Comecei como alguns amigos que me acompanham desde a maioridade; desconstruindo um preconceito ali, repensando algumas atitudes aqui. O pensamento e a crítica que eu faço a mim mesma, ao meu círculo social e à minha visão de mundo nunca pararam. Acredito no poder da mudança pra todo mundo. Já me ferrei bastante por confiar na boa vontade alheia — mas prefiro pagar pra ver a presumir o pior de toda e qualquer pessoa.

Mas, acima de tudo, eu acredito que o amor transforma.

Parece aqueles discursos bobos de mini-poesias breguinhas de rede social. E talvez seja mesmo. Mas eu acredito fielmente no que a gente pode fazer quando tem amor no coração. Quando enxerga a si mesmo com amor. Quando enxerga o próximo com amor.

O amor me reconstruiu todas as vezes que eu precisei. Quando eu lutei contra depressão, o amor da minha mãe me deu forças. Quando eu lutei contra relacionamentos abusivos, o amor dos meus amigos me fez me enxergar. Quando eu passei perrengue de grana, quando perdi gente que amava, quando perdi emprego — quando eu me encontrei sem esperança, nos piores momentos, naquela falta de fôlego e de visão, o amor me puxou e me colocou de pé.

E é o amor, só o amor, que me dá forças pra levantar todos os dias em meio à enxurrada de ódio que estamos sofrendo.

Eu acredito em nós. Eu acredito na mudança. Eu acredito que vamos seguir em frente não importa o resultado. Eu acredito que a gente vai continuar na luta todo dia — seja a luta militante, seja a luta representativa, afinal, só de existir já significamos muito.

Que o momento atual é sobre política mas não somente político nós já lemos muito. Que é, sobretudo, sobre humanidade já sabemos também. Por isso, eu não escrevo sobre propostas. Não escrevo sobre passado, sobre carreira. Eu escrevo sobre sentir, que é, de longe, uma das melhores características de ser humano. E eu escrevo sobre o amor fora dogmas, fora tabus, fora estigmas. O sentimento puro e genuíno, que faz a gente olhar pro outro com vontade de cuidar como se fosse de si mesmo.

E é o que eu sinto por cada um que não conseguiu passar por cima do ódio de boca fechada. Por todo mundo que entende o quão perigoso é se erguer em cima de um sentimento tão nocivo. Por todo mundo que segue bradando pela liberdade individual, pela liberdade de amar a quem se quer amar, pela liberdade de ser quem é sem amarras, sem censura e sem repressão.

É por amor a vocês que eu sigo. É por amor a vocês que eu não vou desistir nunca. E é por amor a vocês que eu digo: acreditem. Se não no governo, acreditem uns nos outros. Acreditem na nossa força de resistir porque somos mais fortes que “tudo que tá por aí”.

Nunca é demais repetir: juntos somos fortes.

O amor é paciente, o amor é bondoso. Não inveja, não se vangloria, não se orgulha. Não maltrata, não procura seus interesses, não se ira facilmente, não guarda rancor. O amor não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade. Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.
1 Coríntios 13:4–7