Minha história com a terapia.

Essa semana comecei a fazer terapia. Quando eu era criança, já passei por esse processo. Eu não gostava muito da minha psicóloga no começo e na maioria das vezes só ia para lá pensando nos brinquedos que eu tinha numa caixa de papelão. Mas ela fez uma diferença sem tamanho na minha vida. Eu sei que ela tem muito no meu processo de amadurecimento e que sem ela a minha adolescência teria sido bem mais complicada. Eu fui até o fim, eu ganhei a famosa e sonhada “alta”.

Uns anos atrás minha mãe teve um psiquiatra anjo. Um jovem que transformou ela. Eu demorei pra entender e perceber as mudanças dela, pois estava afogada nos egocentrismos e narcisismos da minha adolescência. Mas lembrando dela agora e de como ela era anos atrás eu percebo a mudança.

Três anos atrás mais ou menos eu passei por uma fase amorosa muito difícil, que logo juntou com uma fase profissional muito difícil. Minha mãe quis me ajudar e me colocou num psiquiatra, na mesma clínica do anjo dela. Não deu certo. Aliás, não deu nada certo. O santo não bateu. Eu saia de lá mais irritada, eu descia do ônibus querendo caminhar para outra direção.

Ouso dizer que a única vez na vida que eu realmente senti vontade de me matar foi um dia que ele não me deixou concluir uma história. Eu segurei o choro na interrupção completamente desnecessária. Era uma escola, eu entendo e não julgo os erros dele. E eu não sabia como era fazer terapia há anos. Mas aquela interrupção foi demais. Saí da clínica em direção a parada de ônibus com o choro preso na garganta. Quando cheguei na esquina não consegui segurar mais. Chorei muito. Passei pelo posto de gasolina aos prantos e o moço que tinha me vendido uma água mais cedo parecia realmente preocupado com a minha situação. Cheguei na ponta da calçada para atravessar a avenida movimentada. Pensei seriamente em me jogar na frente daquele caminhão que vinha lá da rótula. E em segundos pensei tudo que ainda tinha feito na vida. Desisti. Peguei o ônibus pensando como eu era fraca. Era melhor mesmo ter me jogado. Ninguém ia sentir falta. Tinha afastado todos os amigos, meu namorado não me queria mais, eu só trazia preocupações para a minha família.

Naquela época eu dormia no quarto dos meus pais num colchão na beira da cama, era a única forma de conseguir dormir. Eu entrava no elevador do serviço com o estomago embrulhado e quando chegava no andar só dava tempo de dar bom dia para a menina da recepção. Eu corria para o reservado do banheiro e vomitava um líquido amarelo. Todos os dias. Mesmo nos que eu tinha saído antes de casa e passado no trabalho da minha mãe, no prédio ao lado, para pedir um pouco mais de colo do que ela já tinha me dado durante a noite.

Essa fase da minha vida me bloqueou para muitas coisas. Inclusive para terapia. Que pedi aos prantos para a minha mãe para que eu não precisasse mais ir. Pedi aos prantos que ela me entendesse. Eu ainda achava que ninguém ia sentir minha falta, mas pensei que fazer uma coisa como aquela ia trazer ainda mais incômodos. Eu definitivamente não queria mais incomodar ninguém. Eu só queria não precisar sentar na frente daquele homem, com um sotaque parecido com o cara que eu amava, e falar até a hora que ele me interrompesse sem motivo.

Ela entendeu. Parei de ir.

Quando vejo uma pessoa numa situação com aquela que eu estava eu costumo dizer que viver a dor é importante. Foi pra mim. Mas eu não sou profissional, não sei se vai ser pro outro. A próxima pessoa que eu ver numa situação assim eu vou dizer: tenta fazer terapia.

Essa semana eu comecei a terapia. Uma consulta, 45 minutos. O santo bateu. Eu saí de lá com a cabeça explodindo, no melhor sentido possível. Eu fui até onde eu podia. Eu evoluí até onde eu podia evoluir sozinha. Eu precisava daquilo. Daqueles 45 minutos e de todos os próximos que virão. Óbvio que a terapia é um tratamento, ela não acaba em 45 minutos, mas aquele dia foi um divisor de águas na forma de como eu me enxergo no mundo.

Espero que seja sempre assim, mesmo que numa escala menor. Espero que a evolução continue constante sempre. Afinal, qual é a graça da vida se a gente tem tudo resolvidinho? Viver é uma eterna solução das pequenas situações que criamos. E isso é o mais legal de estar vivo para mim (no momento): a falta de estabilidade nos acontecimentos, a mudança, o movimento.

Essa semana eu comecei a terapia. Obrigada universo, foi no momento certo. To pronta! Vamos!