Questione sozinho.
Semana passada eu não escrevi. Me lembrei no fim da segunda-feira cheia. Tentei editar algo que estava na gaveta, nada me agradou. Lembrei que a terça ia ser enlouquecedora e pensei: não tem problema, ninguém vai sentir falta.
De fato, ninguém comentou. Mas não fiquei magoada. Parece que a semana passada foi um furacão pra absolutamente todo mundo que eu conheço. Acredito que às vezes é necessário essa falta de controle coletiva, é no caos que a gente encontra o essencial.
Sinceramente, eu to longe de decifrar muitas coisas da minha vida. Mas eu sei exatamente o que é essencial pra mim. Descobri há bastante tempo, mas pra aceitar foi mais difícil. Talvez seja meu pé na geração anterior essa coisa de me sentir completamente culpada por não querer o que é dito “normal”. Mas pra quem é millennial questionar tá entre as coisas essenciais.
Então questione. Até ser chato, até ninguém aguentar mais, até as possibilidades se esgotarem. Se é importante pra você, traga a discussão pra mesa — o debate e o diálogos estão entre as coisas essenciais pra mim. Daqueles que não acreditam no poder de uma boa troca de ideias, existem dois tipos: os que simplesmente não sabem dialogar (e algumas vezes querem aprender) e os que não querem, pelo simples fato de terem convicção que suas verdades são muito questionáveis.
No primeiro eu invisto meu tempo, até o meu limite. Vou até o ponto que acredito que não existe mais possibilidade. Pelo segundo eu fazia o mesmo, confesso. Mas essa semana decidi que não farei mais.
Quem tem desejo de estar sempre certo gosta de ser sempre emissor e quando é colocado no papel de receptor de forma brusca, se ofende. Engraçado né? Muitos anos só emitindo da maneira que achava conveniente e o rebote é inadmissível. Questione de novo, mas dessa vez em silêncio. Questionar para si é difícil, dolorido e solitário. Não pode debater é angustiante muitas das vezes, mas ouvi falar que existe paz no debate que é só interno, e é essa paz que eu busco agora.
Questione. Questione muito, mas principalmente não se culpe. Quem questiona sabe que não está sempre certo e que estar errado às vezes é subjetivo. Questionar sozinho e se questionar são as maiores provas da capacidade de evoluir. Pra mim, quem não quer evoluir já morreu há muito tempo.
