Vinte e pouquíssimos anos.

Nos últimos meses eu ando mergulhada numa onda de reflexões que não me via há muito tempo. Talvez tenham sido as quase duas semanas sozinha longe de casa, talvez tenha sido tudo que aconteceu de lá pra cá. É difícil realmente descobrir de onde tudo isso veio. Mas está aqui, presente, todos os dias. Os questionamentos já mudaram tanto nessa vida e apesar dos meus tweets dos últimos meses se resumirem em “vamo tacar o terror”, “to pistola”, “a bad não bate ela espanca” e as variações de “um namoradinho que” as reflexões são profundas pra caramba.

Quando a gente entra dentro daquilo que está questionando a coisa muda de figura. Se você que tá lendo isso já me viu alguma vez na vida, sabe: eu sou expansiva pra caralho. É “oi meu bem” pra cá, “vamo dale” pra lá. Quadradinho, sanfoninha, grito, viração de copo, cantoria alta. É intensidade, é furacão. Mas quando eu coloco a cabeça no travesseiro de noite, com a vela acesa e a trilha sonora de meditação no Spotify eu não sou menos eu. Descobri que também tem calmaria aqui neste corpinho. Descobri tantas coisas sobre mim e aprendi a viver a minha calmaria.

Sou ansiosa, imediatista e quero tudo pra ontem. A vida que eu projetei aqui na minha cabecinha tinha um prazo para se resolver. E quanto mais perto desse prazo eu ia chegando, mais complicado estava sendo viver. O prazo não acabou, mas eu decidi esses dias que ele não existe mais. Acabaram as projeções, acabaram os planos milimetricamente traçados. Ficaram os sonhos. E talvez o último fator para isso ter acontecido tenha sido esta lista do BuzzFeed.

Cansei de entrar no teto que tenho que sair da casa dos meus pais pra ontem. Ainda quero visitar 30 países até os 30. Mas sejamos realistas, aos 22 eu só visitei três. Talvez eu não consiga. E ok, let it go. Cansei de achar que não posso mudar de profissão, que só pq me formei não posso mais fazer isso ou aquilo. Cansei de me cobrar de um jeito louco e de deixar me cobrarem por isso também. Cansei de não chegar em casa sem saber meu nome, de não mostrar interesse, de me preocupar com o que vão achar de mim. Cansei de me preocupar em parecer intensa demais, falante demais, expansiva demais. Eu sou tudo isso, poxa. Qual é o problema?

Não vou dizer que eu descobri que eu me podava demais. Eu já sabia disso. Eu já sabia que eu evitava fazer muitas coisas por medo. A minha vida tinha que ser essa perfeição que eu sonhei agora. Não podia esperar. Não podia fazer coisas sem objetivo claros e que me trouxessem algum super retorno que mudaria minha vida em algum aspecto. Não era permitido mais fazer coisas inconsequentes. Para pra pensar comigo: que absurdo né?

Eu tenho vinte e dois anos. Gente, VINTE E DOIS ANOS. Será que precisa de tudo isso? De toda essa pressa? Conversando com uns amigos no final de semana uma delas comentou sobre a expectativa de vida. A expectativa está em quase 80 anos já. Imagina daqui dez anos? E outra, ok, vamos pensar em oitenta anos. UM QUARTO DE VIDA PESSOAL! Calma o coração, né?

Diante de todas as reflexões aqui deste texto e das que ainda estão na minha cabecinha, declaro que: TO PISTOLA.

Não, brincadeira. Não é só isso. É isso também, mas não é só isso. É se permitir ter dúvidas. Se permitir querer mudar de vida, de cidade, de peso, de cabelo, de ambiente. É não se achar fracassado por ainda ter um cargo de assistente ou por não ter morado fora um tempo. É aceitar que talvez demore muito tempo para você ser chefe de alguém ou o seu próprio chefe. É aceitar que não é necessário conhecer a pessoa que tu vai dividir a vida ainda, é entender que talvez essa pessoa não exista e é não se bloquear quando aparece uma pessoa legal (mesmo que ela não tenha nenhuma vocação pra passar o resto da vida com você). Não é necessário ter aquela experiência de vida vai mudar todas as suas perspectivas de vida ainda. Não é preciso sair da casa dos pais, parar de comer coisas que fazem mal, não assistir mais desenho.

E se tem uma frase que eu li nesses últimos dias que fala muito sobre o que eu quero da minha vida a partir de agora seria essa: expect nothing, appreciate every little fucking thing.

O resto é o resto. O resto vem. O resto eu deixei na mão do universo.


Originally published at blogdataysi.wordpress.com on August 29, 2016.