O AMOR NÃO ESCOLHE ONDE NASCER!?

Hoje, 12 de junho, é um daqueles dias onde nossas redes sociais são bombardeadas por uma leva de conteúdo repetitivo. Hoje é um dia de disputa entre os post de de casais e os post de pessoas falando sobre a dificuldade para sobreviver em um dia dos namorados estando solteiro e, em meio isso tudo, tem um outro grupo que tenta garantir algumas curtidas com tudo isso, se promovendo ou ganhando dinheiro com tal data, que sempre rende para a galera da publicidade. E dessa vez o “post do momento” é o que inclui casais homoafetivos e afins, pois sempre geram debates e post comentado é igual uma chuva de acessos, curtidas e comentários, e é assim que a ideia do amor que chega em todos é propagada.

Sempre que vejo esses posts fico com aquela duvida na cabeça se tudo isso é verdade e assim, hoje logo pela manhã um post da prefeitura de Fortaleza, no Facebook me chamou atenção, ao ponto de me fazer ficar mais animado para escrever sobre e começar minhas avaliações.


Com a duvida sobre esse amor que não escolhe onde nasce, resolvi da uma breve olhada ao redor, mas primeiro olhei para mim, jovem negro, gordo e periférico, e logo me veio a cabeça todas as vezes que escutei “ele é legal, um sonho de qualquer pessoa, mas só enxergo como amigo. E o carinha loiro, com o físico ditado pela mídia e com pais que tem grana para bancar festas e carteira de motorista, sempre o amor parecia escolher nascer nele e não em mim, mas assim continuei a olhar: parei para observar os ditos “crush” de meus amigos e amigas, e curiosamente, os “crush” até pareciam que eram feitos numa fabrica Ou quando não, eram repetidos, aquele velho padrão como o do carinha loiro que o amor parecia sempre nascer, mas nesse caso descobri que as vezes tinha amigos que em meio ao mar de gente branca, colocavam um ou dois negros e o que parecia ser uma luz no fim do túnel, foi mais um balde de água fria ao notar que esses não passavam de pessoas que para eles rolava uma expectativa de fazer sexo bem e de ter um pênis grande, mas que não estavam na lista de algo mais que uma “foda”.

Mas então vamos sair da minha realidade e ir para a da mulher negra, que o amor raramente parece escolher nascer, onde a solidão da mulher negra é algo real e que deve se problematizada e que não precisamos ir longe para notar.

http://extra.globo.com/noticias/mundo/massacre-deixa-50-mortos-53-feridos-em-boate-gay-de-orlando-rv1-1-19490324.html

Foi hoje também que um atirador causou um massacre em uma boate nos Estados Unidos, um triste exemplo do espaço restrito que foi permitido aos sujeitos LGBTs, que em boa parte de suas vidas tem o tal direito do amor negado ou controlado.

O amor das LGBTs é aparentemente regulado pelo capital, com seus conceitos liberais de liberdade adquirida a partir da propriedade privada, o amor é algo que só pode sobreviver escondido, se limitando em locais fechados, como boates, saunas e outros exemplos “guetos” pagos e que se restringem a quem pode pagar e que apesar da venda diária da ideia de segurança, nem mesmos esses locais estão longe do conservadorismo e do ódio daqueles que sempre viram o amor como uma exclusividade e privilegio intocável, como é o caso.

É assim que eu digo, que esse amor que a prefeitura fala não é real, ele é seletivo e não parece tão belo quanto nos posts do facebook, na verdade me parece algo brutal, restrito e que não contempla meu povo. Esse amor colocado hoje usa da velha visão racista, machista e LGBTfobica de escolher em quem ele vai nascer, pois não somos os escolhidos, é um sentimento que em maioria das vezes seleciona e escolher ficar junto dos privilégios dos já privilegiados e nesse dia 12 eu só queria que o “amor” fosse realmente isso tudo que dizem, e que como o sentimento socialista fosse compartilhado, e não mais fosse utilizado apenas como um utopia vendida durante essas datas.

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