Geração Y e o Comprometimento Organizacional: viramos adultos e ninguém nos contou!

Quando éramos crianças ouvíamos sempre que o futuro do mundo estava nas nossas mãos. O futuro chegou, mas aparentemente não percebemos.

Os nascidos a partir de 1980 se encaixam, do ponto de vista geracional, na famosa Geração Y. Essa geração viveu sua infância e adolescência em um mundo com avanços tecnológicos e prosperidade econômica, desfrutando de um conforto jamais visto por outra geração.

Na arte de Vinicius Pinto, entenda a diferença: A Geração Y são os Millennials.

Pessoas que, como eu, se encaixam neste perfil sabem que desde sempre fomos doutrinados para estudar e buscar os postos mais altos, seguindo a percepção de que “tudo é possível para mim” que marca esta parcela da população.

Nossa geração está agora no papel de adulto, estamos nos tornando pais e mães de uma geração seguinte a qual agora somos nós que estamos prometendo o futuro da nação. No entanto nosso presente não poderia ser mais divergente daquilo que foi o presente dos nossos pais. Hoje temos novas empresas e modelos de negócios, novas formas de trabalho e novas formas de família.

Nesse sentido houve ganhos em todos os lados: as pessoas conquistam mais espaço para viverem suas vidas pessoais, as empresas conquistam mais resultados com menos custos em um meio flexível e colaborativo (além de à distância).

Pode-se dizer, com alguma segurança, que isso é justamente o reflexo da chegada da Geração Y ao mercado de trabalho. Provavelmente a geração mais bem educada e tecnicamente preparada até o momento, mas também a que demanda mais em troca do seu comprometimento organizacional.

O comprometimento organizacional é geralmente categorizado em 5 diferentes tipos de comprometimento (Mowday, 1979). No comprometimento afetivo (1) o colaborador se compromete com a empresa pelo afeto e pela sensação de fazer parte; no comprometimento instrumental (2) o colaborador se compromete com a empresa pelos benefícios e salários; no sociológico (3) ele se compromete pelo consenso social de subordinação aos chefes; no comprometimento normativo (4) o colaborador se compromete porque essa é sua função como colaborador (pressão normal da relação empresa — funcionário) e por fim; no comprometimento comportamental (5), o colaborador se compromete porque isso é parte do comportamento e da cultura organizacional (isso é o “normal” naquela empresa).

Na arte construída pelo Jornal "A Gazeta", alguns detalhes dessa geração.

Para a Geração Y não existem esses 5 perfis. O comprometimento organizacional vem da identificação do usuário com os objetivos finais da empresa e na adequação do pagamento proporcional ao tamanho do desafio e à educação individual, além dos benefícios. Seria algo entre o comprometimento afetivo (mas nem tanto) e o comprometimento instrumental (já que salário e benefícios são extremamente importantes, mas sozinhos não seguram este perfil de colaborador).

Em contrapartida vivemos em um momento difícil, de crise, em que a “boa vontade” dos empregadores frente aos empregados cai drasticamente.

A última crise vivida pela Geração Y foi na década de 90 e essa geração ainda não fazia parte do mercado de trabalho, era dependente dos pais e não tinha autonomia de decisão. Agora, na crise eclodida em 2015, é o primeiro momento de vacas magras (anorexas eu diria) que esta geração precisa confrontar sendo autônoma e vítima direta das consequências.

É como se quando crianças víssemos o país às traças na década de 90, enquanto nossos pais nos confortavam dizendo que somos “o país do futuro” e que lá na frente tudo seria melhor. E durante um bom tempo, anos 2000, foi mesmo. Até chegar mais uma crise e nos alertar: o momento de vocês tomarem as rédeas da condução da sociedade chegou.

A sensação é que alguém bateu na porta e disse: “Diversão acabou! Hora de crescer!”.

O recado vem de todos os lados, ele vem da imprensa que faz cada dia mais previsões tempestuosas de futuro, ele vem do governo que quer voltar com a CPMF, ele vem dos nossos amigos que temem junto conosco e vem dos nossos empregadores: não existe mais segurança de emprego, em especial onde os benefícios são tratados como direito.

O contexto, completamente atípico para os filhos da bonança, coloca-nos contra a parede quando o que mais somos acostumados é a ficar no centro da roda. Nossas opções diminuem e a necessidade de escolher o caminho mais difícil fica mais evidente.

Em matéria de 2010, a Revista Época já previa a catacombe.

Chegou a hora de sair do playground?

A notícia ruim é que a jornada é escura, fria e árida. As boas notícias, no entanto, são que nenhuma outra geração tem a capacidade de se reinventar como a Geração Y e, mais importante, nenhuma outra geração tem a capacidade de reinventar o mundo ao seu redor como nós.

Não se trata de sair, mas sim de reconstruir o playground: maior, mais colorido, mais divertido, tecnológico. A Geração Z vai adorar o que vamos deixar para ela.

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