O ano que eu não fiz nada mas fiz tudo que podia

Carol Rocha
Jul 14, 2016 · 4 min read

(esse texto estava parado aqui no draft, decidi postar. desde que escrevi numa madrugada insone, passaram-se 2 meses — e não mudou muita coisa)

Daqui 3 dias meu filho faz um ano e eu entrei numa crise meio tensa com a data. Estou aqui separando algumas fotos para montar um varalzinho de memórias e me perguntando como pode caber uma vida toda, uma história tão grande em apenas um ano. 365 DIAS. Veja bem, eu tenho 28 anos, já vivi umas coisas bem doidas, tive uma infância complicada, uma adolescência esquisita, uma vida adulta digna de filme de ação com carros (ônibus) voando, muitas pitadas de drama e… esse último ano foi diferente de tudo e de qualquer outra coisa que já tenha me acontecido.

O motivo que me faz escrever esse texto e que você deve imaginar qual é, e é esse mesmo: a maternidade. Ou melhor, como EU estou vivenciando isso. Eu tenho um filho lindo e saudável, que cresce dentro da normalidade, que faz fofurices e muito cocô como qualquer outro bebê. O foco aqui não é ele, o foco são as mudanças que ele me proporcionou e que não tenho como negar ou simplesmente passar por elas sem questionar, reviver, repensar e até remoer. O que quero trazer aqui é essa coisa aí de "virar mãe".

APRENDER A SER MÃE

Eu tenho 5 gatos, já falei aqueles papos de mãe de gato, meus filhos de pêlos, já sofri com meus bichos, já perdi bicho, tenho umas mágoas até hoje com certas pessoas por causa de bichos etc. Ser mãe é uma coisa bem diferente — mas também bem próxima — de ser tutora e amante incondicional dos animais. Hoje tenho bastante clareza disso na vida e tudo bem quem se intitula mãe de bicho, acho sincero, acho válido e devemos respeitar a opinião e o amor alheio. A questão é que ser mãe (ter em si a responsabilidade de gerar — ou não, parir, alimentar, confortar e criar um ser humano) é diferente de TUDO.

O que eu vivi nesse último ano foram extremos. Extremos de amor e de dor. "Oi?? De dor??" É colega, de dor. Já imaginou uma dor que dá vontade de arrancar uma parte do corpo pra ver se dói menos? Ou uma dor moral de achar que fez algo errado ou contra o serzinho que você mais ama? Sentiu um amor que dá vontade de morrer? Vontade incontrolável de chorar — e chorar pra valer — só de lembrar da carinha do seu amor? São numas piras assim que a gente entra quando vira mãe.

E aí sabe o que acontece? Ninguém entende muito bem essa intensidade maluca das coisas, você percebe que ninguém tá entendendo muito bem e… se sente sozinha. Outras mães entendem mas a maternagem é bem única também, cada uma lida de uma forma. Então a maternidade é basicamente um extremo de dor e amor e que ninguém tá dando muito bola e vão continuar agindo como se você estivesse "normal". Cara, nenhuma recém-mãe está normal, acho que nunca mais estará (olha, eu só posso falar do primeiro ano mas sinto que essa sensação não vai embora não).

Daí que eu falei tudo isso pra dizer que nesse primeiro ano não consegui fazer nada do que eu queria (tá, eu queria muitas coisas, devo ponderar).

A Carol antes do bebê nascer queria escrever bonitinho sobre as experiências da gravidez e também da maternidade, tinha listas e listas de temas, queria fazer um site, um canal, uns vídeos maneiros, queria fazer grupos, participar ativamente de outros mil, queria estudar (!!!), viajar, ler pra caralho, trabalhar no mesmo ritmo de antes de ter VALENTIN escrito na testa e no coração.

NÃO ROLOU. não tá rolando.

Mas sabe o que rolou? uma criança feliz na medida do possível dessa mãe aqui e do pai que se desdobra. Rolou aprender que perder o controle é necessário. Rolou que verdades absolutas não existem. Rolou que eu repensei a vida, o consumo, as amizades, o tipo de trabalho, o que é amor, o que eu quero pra mim e pro mundo. Rolou que eu tô falando dessas coisas todas sem me importar muito se está bonito ou não. Rolou que eu me tornei mais real. Rolou que — passado um ano — eu estou me redescobrindo. Como pessoa. Como mulher. Como ser.

ROLOU. tá rolando pra caralho.

E pelo menos agora eu fiz um canal, e tenho uma página, e quem sabe, até crio um grupo.

Carol Rocha

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Tem meia hora que eu estou tentando me definir em 160 caracteres e falhando miseravelmente, tô sem tempo pra isso. Melhor focar nos textões mesmo.