Estádios e Arenas: Quanto vale o show?

Foto: Daniel Castelo Branco/Agência O Dia/Estadão Conteúdo

Em duas semanas tive o prazer de conhecer o novo Estádio Luso Brasileiro, batizado pela torcida rubro negra de Ilha do Urubu, e a casa do Palmeiras, o Allianz Parque. Coincidentemente, Flamengo e Palmeiras tem cobrado o ingresso mais caro do Campeonato Brasileiro e a pergunta sempre vai ser: Quanto vale o show? Penso sempre no negócio. Não sou daqueles caras, entretanto, que não gosta de ver em cada Estádio ou Arena o setor popular, com ingressos mais acessíveis ao grande público e que dão aquele ar de “Geral” do antigo Maracanã. Mas sou a favor sim do aumento do ticket médio, incentivando a adesão aos programas de Sócio Torcedor, garantindo maior segurança, conforto (desde a compra do ingresso) e serviços personalizados para os torcedores.

Já ouvi algumas vezes o VP de Marketing do Flamengo, Daniel Orlean, falando sobre a estratégia adotada pelo clube: não é o Marketing que faz o time, mas o time que faz o Marketing. Extrapolando o pensamento podemos pensar que a Ilha do Urubu, um Estádio para 20 mil pessoas, não é do tamanho do clube e que o efeito caldeirão é muito positivo na boa fase. Um paliativo para as pretensões da Diretoria, mas que está trazendo resultados financeiros, esportivos e consequentemente na atração de parceiros e sócios. Combinação fantástica! Imaginem essa conta se o clube estivesse mandando seus jogos no caro e gigantesco Maracanã. Obviamente que melhorias no acesso ao Luso Brasileiro precisam ser feitas e que o acesso dos torcedores ainda é o ponto fraco.

O Palmeiras vai além. Ganhou a maior Arena Multiuso da América Latina e lá pode colocar mais de 40 mil pessoas. Na minha visão, a capacidade ideal para um Estádio considerando a realidade brasileira. Nem 8 e nem 80. Justo, compacto, confortável e economicamente viável. Na fase boa e na ruim. A Allianz Parque reúne não só o futebol como também shows, eventos musicais, games, convenções e tudo mais que movimente dinheiro pra pagar a conta. BINGO! Não é só o futebol que paga a conta. Não pode ser. É preciso dividir essa responsabilidade e cada vez mais trazer fontes de receita para o clube e parceiros. Sim, sim…o impacto no gramado precisa ser ajustado.

Sou a favor do modelo adotado pelos clubes no aumento dos ingressos. O show vale. Mas deve vir acompanhado de conforto no acesso, aumento da segurança e serviços. E aí ainda precisamos evoluir. Enquanto não pudermos levar nossas famílias aos Estádios, vamos continuar pensando grande em vão.