Tomar a vida nas próprias mãos

Tomar a Vida nas próprias mãos: esse é o título do livro que me fez conhecer a força do trabalho com a biografia humana.

Eu o li por indicação de uma das minhas tutoras, como parte dos estudos de um doutorado informal (vou escrever sobre isso em breve, prometo!) que realizo. E foi a partir daí que comecei a estudar com mais afinco esse tema que já me interessava há anos, mas que eu ainda não sabia que tinha um nome.

Em poucos meses, eu já havia devorado todas as referências bibliográficas que pude sobre o tema e comecei a aliar esses estudos à minha experiência como educadora e como facilitadora de processos de desenvolvimento humano, encontrando resultados tão potentes que tornei a biografia humana a linha mestra do meu trabalho, aquela que liga todas as coisas.

Mas o que significa trabalhar com a biografia humana, afinal?

Significa buscar respostas para nossas inquietações e conflitos internos usando como base um resgate de memórias sobre a nossa própria história. É um caminho saudável de reconexão com a nossa essência. Um mergulho no passado para ressignificá-lo, mas também para projetar o futuro. Partimos do princípio que o equilíbrio está dentro de nós e não fora e que é necessário organizar o nosso campo interno.

O trabalho biográfico é um apoio para todos os que querem aprofundar seu autoconhecimento. Mas não pense que limita as descobertas somente a si. Durante o biográfico naturalmente se desenvolve interesse e compreensão por outras pessoas e suas situações da vida, dando espaço para reconciliações, para a prática do perdão e da libertação que vem dele.

A principal inspiração do trabalho com a biografia humana é a médica brasileira Gudrun Burkhard, que dedica a sua vida ao propósito de disseminar a potência reveladora de se trabalhar a própria biografia. Ela baseia a sua prática nos estudos biográficos realizados por Rudolf Steiner, o fundador da Antroposofia.

Na metodologia que uso, alio a biografia humana a algumas outras referências que fazem muito sentido para mim, uma delas é a investigação apreciativa. Acredito que ela casa perfeitamente com o trabalho biográfico porque a sua força está em envolver a técnica de fazer perguntas que revelem a capacidade da pessoa e aumentar o seu potencial positivo.

Num mundo em que somos o tempo inteiro bombardeados com críticas e até mesmo com processos de desenvolvimento humano baseados no “Não seja mais desse jeito, seja de outro”, que estimulam a crença de que nunca somos bons o suficiente, a investigação apreciativa me parece um bálsamo. Isso porque você descobre que pode melhorar — claro, todo mundo pode — , mas que também é possível criar uma nova realidade apenas movimentando tudo o que já existe em você.

A investigação apreciativa foi desenvolvida por David Cooperrider, na década de 80, nos Estados Unidos. Ela parte de uma visão holística (ponto para ela!) que basicamente estimula o ser humano a se perceber como um ser integral e participar ativamente do seu processo de cura interior.

Parece potente e transformador além da conta para você? Pois é. Para mim também. :)

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