rapzão

a globalização é uma ilusão. pelo menos por enquanto. a gente acha que em todo canto vive todo mundo igual, que o facebook é uma coisa natural, que dum país pro outro só muda a língua, que o consumismo em escala global, essa íngua comportamental, homogeneizou a cultura, que tanto aqui como em cingapura as crianças, na cara-dura, espiam o celular durante a lição. mas não. em lugares diferentes nascem diferentes gentes, e, por mais que se pareçam na mistura, cada canto tem a dura condição de ser a si, e lugar nenhum é como aqui. onde mais dá abacaxi? ah, eu já vi por tudo, eles mandam de navio. só que pra transportar, já viu, colhem antes, amolece na viagem. ó a malandragem luso-brasileira cruzando, pra tirar vantagem, as fronteiras marítimas mundiais. a fruta no cais chega menor, menos doce, mais sofrida. e não é só a comida, também muda a diversão e a arte. faz parte. eu canto que minha terra tem palmeira e abacaxi, porque aqui deu essa frase como dá o abacaxi. como pode alguém que não daqui cantar, da sua terra, palmeira e abacaxi? poderá falar de como o importado de lá põe a alma a imaginar as aves daqui, mas não tem propriedade pra descrever de verdade algo que não seja esse tipo de saudade que a gente sente dos lugares aonde não foi. no street view da pra ver o boi no pasto do mato grosso? ou é só um borrão insosso? globalização, seu moço, é ilusão, porque não há ó gente ó não luar como esse do trópico de capricórnio na américa do sul.