Como é por trás da produção de conteúdo pelo Youtube

“Pipocando” e “Canal das Bee” contam sobre como cresceram utilizando o portal

Cecília Ferreira e Victor Melo

O “Pipocando” é um canal no Youtube sobre filmes e cultura Pop. A ideia veio quando o sócio da Blues, Bruno Bock, que já trabalhava com o Bruno Marchese (“Rolandinho”), propôs um programa sobre os meios cinematográfico e pop. A princípio ele havia sido idealizado para a TV, com o intuito de utilizar o Programa de Apoio ao Desenvolvimento Audiovisual Brasileiro (PRODAV), ocupando a cota de horário nos canais fechados.

A Blues é uma empresa que produz conteúdo para outras grandes empresas como a SKY, que na época estava passando por transformações. Bock já tinha um projeto: um canal de humor que se chamava “Chacota”. Apesar de ter feito sucesso, Rolandinho diz que “os vídeos eram bons, mas a gente errou no formato”.

O Chacotatelevision era um canal de humor, porém a maioria do conteúdo tinha uma dinâmica diferente da que o público realmente queria. Ao perceber isso, Bock e Rolandinho decidiram investir em algo diferente do que eles costumavam fazer, criando assim um conteúdo inédito no YouTube brasileiro.

Mas a experiência Rolandinho com o Youtube vem de muito antes do Pipocando. Ele começou a fazer vídeos aos 13 anos de idade. Naquele tempo, morava no interior de São Paulo, na cidade de Socorro, e não existia canal no YouTube. As pessoas davam upload nos vídeos e faziam um blog para indexá-los.

Foi assim que tudo começou: com um blog feito por Rolandinho sobre Wii, chamado WiiFever. Com a evolução da internet, ele continuou a fazer conteúdo, conciliando isso com seus estudos. Alguns anos depois, Rolandinho foi chamado por Bock para fazer parte do casting da SKY Connect, um projeto da Blues em parceria com a SKY.

Com o sucesso do portal, o trabalho e a equipe aumentaram. Atualmente três pessoas (“Jão”, “Stage” e Fábio) editam o conteúdo que vai ao ar. Semanalmente são feitas três gravações e postados cinco vídeos. A maioria dos roteiros é feita por um profissional de outro estado contratado especificamente para produção de scripts para o Pipocando, embora alguns sejam feitos por Rolandinho ou por Jão.

Além de trabalhar com cultura pop, o Pipocando também tem quadros de cinema estritamente técnicos e listas de curiosidades, o que gera um público mais diversificado. Hoje o canal tem mais de 370 mil inscritos. Além do YouTube, eles geram conteúdo também para a Play TV.

Vídeos como armas contra os preconceitos

O Canal das Bee é um portal de vídeos no Youtube que procura abordar os mais variados tipos de questões referentes à comunidade LGBT. A ideia surgiu como um trabalho de conclusão de curso de Jéssica Tauane, quando ela ainda estava na faculdade.

Jéssica diz que sofreu bastante quando começou a entender sua sexualidade e que depois quis ajudar outras pessoas que estivessem passando pelos mesmos problemas que ela passou. Os vídeos vão desde os mais engajados politicamente aos mais humorísticos: “Claro que tem gente que só assiste para dar risada, o que eu acho também saudável. Eu costumo brincar dizendo que para LGBT ser feliz é um ato político”, diz.

Jéssica diz que teve que estudar muito antes de começar o canal, considerando que sexualidade e gênero são temas difíceis de serem entendidos por qualquer pessoa. Dessa forma, o que começa sendo um aprendizado para a youtuber é desmistificado, gerando informação e conhecimento também e principalmente para os espectadores.

Atualmente, o Canal das Bee conta com uma equipe de vários colaboradores que procuram tratar dos mais diversos desdobramentos das pautas LGBT. Feminismo, transfobia, bissexualidade, pansexualidade, histórias da época de escola e de faculdade são apenas alguns dos assuntos já abordados pela equipe.

No portal no Youtube já há mais de 114 mil inscritos e seus espectadores são bastante interativos. Apesar do canal não se propor a resolver problemas amorosos, a maior parte dos emails que chegam para a equipe são pedindo conselhos sobre relacionamentos. Isto acontece porque ocorrem muitos casos de pessoas que não têm a quem pedir apoio para essas questões e veem no canal uma possibilidade de ajuda. “No formato do vídeo a gente já faz essa proximidade com o público”, conta Luciana Arraes, que faz a filmagem e a triagem de informações do canal. A linguagem informal, o cenário e o enquadramento fazem com que o espectador se sinta mais próximo dos apresentadores.

“No formato do vídeo a gente já faz essa proximidade com o público”

Apesar do enfoque, o Canal das Bee não é exclusivamente para o público LGBT. A ideia dos produtores é de fazer um canal didático, que seja especialmente para aqueles que não entendem diversas questões do meio. As famílias e as pessoas homofóbicas entram, portanto, no público-alvo.

Jéssica e Luciana dizem que mesmo quem acompanha o canal às vezes acaba se irritando com os fatos apresentados nos vídeos. Afinal, o objetivo do portal é desconstruir preconceitos, uma coisa da qual mesmo o público LGBT não está completamente a salvo. As próprias youtubers contam de situações em que, ao preparar um vídeo, depararam-se com preconceitos que elas não sabiam que tinham.

Para elas, as mídias sociais têm o poder de mudar a vida das pessoas. “É muito fácil para a gente falar estando aqui em São Paulo”, diz Jéssica, ao comparar a diferença entre a aceitação recebida pelas pessoas na capital e as de outros lugares nos quais não é possível debater essas questões. “[Nestes outros lugares] você não vai ter ninguém [como apoio] então você faz conexões virtuais. Isso é muito importante”, conclui.

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Matéria de 2015, feita por Cecília Ferreira e Victor Melo

Foto por Cecília Ferreira

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