Nerve e o ser digital

Maria Clara Lucci

Recentemente assisti Nerve: um jogo sem regras (Ariel Schulman e Henry Joost), um filme adolescente sobre jogos online e comportamento. Aliás, muito mais sobre comportamento do que mundo online, mas o que são os problemas da internet se não nossas situações reais em uma dimensão virtual criada?

Vee (Emma Roberts) é uma aluna de ensino médio em 2020, quieta e sensata, ela sofre com a pressão dos amigos para correr mais riscos. Quando sua melhor amiga Sydney (Emily Meade) entra no jogo Nerve, “verdade ou desafio…Se a parte da verdade”, Vee decide seguir o mesmo caminho e provar para ela que pode sair de sua toca.

Mas o que é o Nerve? Este jogo fictício precisa de poucas coisa: jovens corajosos buscando aceitação para competir, jovens manipuladores que assistem e ditam as regras do jogo e os desafios a serem cumpridos pelos competidores, smartfones com boas câmeras e senhas de contas bancárias.

Mulher gamer? Pode sim!

Em seu primeiro desafio, Vee conhece Ian (Dave Franco), um jogador muito assistido e de altíssima pontuação nos desafios. Não demora para esses “watchers” desejarem ver Vee e Ian como um time. Mas ele sabe dos perigos do Nerve, e Vee ainda está para descobrir.

Em nossas matérias, um ponto não fugiu dessa discussão: como a “dimensão” virtual muda nosso modo de agir, mas não não nosso modo de ser. Imagine a vida nas redes sociais como uma vila. Nela, os vizinhos sabem da vida uns dos outros e até as compras do mercadinho, ou o tipo do mercadinho em que você resolveu comprar, dizem muito sobre a pessoa que você é. Esse sentimento de fidelidade e de identidade reforçada pelo marketing digital você pode encontrar na matéria de Beatriz Messa.

Ao mesmo tempo, nessa vila ainda é possível encontrar apoio dos amigos para resolver seus problemas, mesmo que nunca os tenha visto pessoalmente. Esse método questionável de manter relações tem se popularizado nas redes sociais, você pode ler mais sobre apoio psicológico e isolamento na reportagem de Tayná Medeiros.

O problema começa quando essa vila imaginária substitui o local onde nós mesmos habitamos: a realidade. Embora o mundo real nos apresente milhões de experiências positivas e negativas, algumas pessoas criam mais que uma necessidade psicológica de viver no universo virtual, mas um vínculo sincero e perigoso. Nosso repórter Lucas Capeloci se inspirou nesse comportamento para escrever sua matéria “O ser digital”, que você confere aqui.

Nerve pode parecer apenas um jogo de mentirinha para um filme hollywoodiano. O ano pode parecer distante. Porém vale lembrar que 2020 está mais próximo do que imaginamos e que a internet abre as portas para nossos piores lados já existentes, ela apenas permite nosso maior acesso a eles e isso está acontecendo.

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