A gente tava tão bem.
As músicas sempre foram um ponto fraco. Aquilo que não era comum se tornava, era simples assim. A gente tava tão bem.
Cada show era uma nova experiência, um novo abraço, um novo olhar, uma nova canção na playlist. “Salame!”, você dizia. A gente tava tão bem.
Talvez as novas bandas não fossem apenas uma maneira de dividir o tempo entre antes e depois, mas fossem mais uma forma de marcar a nossa história. A gente tava tão bem.
Não tinha espaço pra outras pessoas na nossa vida. Na verdade, não tinha sequer interesse. “Nada acontecia”. A gente tava tão bem.
E isso nunca fora uma questão né? Quando havia espaço a confiança reinava, o lugar da outra estava garantido. Que me importam os beijos se tenho tua lealdade? A gente tava tão bem.
Entre gargalhadas e planos, abraços e “eu te amo”, cada show era um passo adiante de sei lá pra onde. Sem nenhum temor. A gente tava tão bem.
Em uma noite quase fria, em um dia quase muito bom, depois de um show hoje inesquecível, nosso “até amanhã” era sem desconfiança. A gente tava tão bem.
Mudei rotina, mudei o dia. Sem nenhum acaso. Seu “eu te amo” me fez dormir tranquila. Caramba, a gente tava tão bem.
E quando o amanhã chegou e você não apareceu, eu me perguntei “por que? A gente tava tão bem!”.
Quando o dia inteiro se fez um inferno, justo naquela semana tão especial, eu tentava entender como… A gente tava tão bem.
Tua noite anterior, uma mentira noutros braços e outros lábios, tiraram de mim aquilo que a gente mais prezava: a confiança. Pra que isso? A gente tava tão bem!
Pensar em te olhar machucava. Pensar em te perdoar mais ainda. Como ficamos tão mal se a gente tava tão bem?
Nunca foi uma questão a honestidade. Até ser.
Lealdade era maior que fidelidade. Até nenhuma existir.
Eu tinha meu espaço na tua vida, você o seu na minha, nada mais importava. A gente tava tão bem.
A gente tava tão bem.
Tão bem.
Bem.
É.
A gente tava.

