Congresso RBI — Nova York |fev-mar 2015]

Congresso RBI — Nova York [ fev-mar 2015 ]

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Síntese das ideias debatidas- [Teix”15]

«Simplesmente dar dinheiro às pessoas para satisfazer as suas necessidades básicas.»

Eis aqui uma enumeração das ideias-chave que pontuaram o congresso do RBI que decorreu em Nova York e que foi mais um importante passo para este movimento mundial de cidadãos a favor do Rendimento Básico Incondicional.

Dessas ideias, quais envelheceram, quais rejuvenesceram? Quais se mantêm atuais? Eis o que nos pode servir de visão panorâmica sobre um tema que tem evoluído a uma velocidade alucinante.

Durante 4 dias [26 fev-1 mar”15] na cidade de Nova York, 42 intervenientes debateram ao longo de 15 sessões sobre esta ideia: “simplesmente dar dinheiro às pessoas para satisfazer as suas necessidades básicas”.

Esta síntese baseia-se em grande parte na cobertura que Scott SANTENS fez do evento e que pode ver aqui em Inglês. Encontrará ai links para vídeos apresentados, outros documentos e transcrições completas.

Adivinhamos, pelas expressões marcadas de Scott SANTENS uma certa emoção quando tenta descrever a onda que este evento suscitou: Refere «sentimentos poderosos» e uma «sensação sem precedentes de um momento potencialmente histórico». Diz ainda que «Havia algo no ar diferente de tudo o que tinha presenciado antes (como) algo que se acendeu dentro das pessoas

[Sessão 0]

►Mimi Abramovitz
Mais que a própria pobreza, o medo da pobreza pode marcar a memória mais traumatizante de uma infância pobre ao longo de todo o processo de crescimento.

►Francis Fox
A crescente desigualdade está a ter um efeito perverso sobre os nossos próprios valores como sociedade e a alterar o nosso olhar sobre o outro.

►Willie Batista
O desemprego tecnológico está a redefinir o valor da vida humana aos olhos daqueles que já não necessitam de trabalho humano.

►Mathew Schmid, cineasta
 A relação Trabalho- salário é cada vez mais falsa: Há trabalhos que não são pagos e salários que não exigem trabalho.

►Mathew
A luta pela sobrevivência a curto prazo eclipsa preocupações vitais de longo prazo para a sobrevivência da terra como é o caso da mudança climática.

►Jason Burke Murphy — USBIG
 Vive-se uma grande mudança na consciência e abertura ao conceito do RBI. A ideia está a espalhar-se, e rapidamente.

►Felix Coeln — Partido Pirata na Alemanha
Um direito humano, De todos, Em todos os lugares, Sem quaisquer condições. São os quatro pontos fundamentais de qualquer RBI.

[Sessão 1]

►Marshall Brain
Coloquemo-nos no lugar de um ser vindo do espaço. Como veria o nosso planeta?
Uns poucos acumulam toda a riqueza condenando um mar de gente a morrer de fome sob vigilância e controlo da população, destruição ambiental, extinção em massa de espécies, triliões gastos em 10.000 mísseis nucleares e guerras intermináveis. E para a cura de doenças? “Os seres humanos parecem insanos.

Possuímos recursos mais que suficientes para assegurar a paz e prosperidade global. Vamos escolher isso ou persistir na recusa coletiva de garantir meios de sobrevivência a cada ser humano?
Vamos usar a tecnologia a proveito de toda a humanidade ou a proveito de alguns contra a humanidade?

[Sessão 2]

►Michael Lewis-Oliver Heydorn
 A Segurança Social distingue e discrimina quem merece e quem desmerece. Quem é digno e quem é indigno de viver, num mundo cada vez mais desigual, onde ninguém escolhe à nascença ser rico ou pobre.

Não se exige ao empregador que corrija as más condições laborais mas exige-se «motivação» do empregado para se sujeitar a elas.

Não existe penúria. Existe sim um bloqueio premeditado ao direito à vida barrando o acesso aos recursos básicos de sobrevivência.

►Karl Widerquist
Ninguém tem o direito de se entrepôr entre um indivíduo e os recursos de que depende a sua sobrevivência.

Toda a riqueza advém da apropriação de recursos que antes se encontravam livremente disponíveis a todos no seu estado natural.
Essa expropriação dos meios e da liberdade dos outros não é recompensada, ressarcida ou remunerada por nenhum processo.

O dinheiro que precisamos para sobreviver, deve vir da compensação pela perda de acesso aos recursos naturais universalmente compartilhados que já tivemos.

Enquanto sobreviver implicar ter dinheiro, o trabalho é e será sempre por muito que ele nos realize, um meio forçado e nunca um fim em si a que nos entregamos de coração e alma.
A «ética do trabalho» por si é uma falácia. Só a vida tem um valor intrínseco e o problema deste sistema é fazê-la depender de dinheiro.

Num mundo realmente livre os trabalhos menos estimulantes, mais ingratos, sujos, desgastantes, perigosos, seriam os mais bem pagos, ao invés do que acontece hoje.

A terra é a base da vida. Usá-la em seu exclusivo beneficio é intentar contra a vida dos restantes elementos da comunidade.

[Sessão 3]

►Michael W.
Seria inaceitável um homem desviar um fluxo de água de uma cidade para seu próprio uso.

►Howard
O RBI favorece a cooperação voluntária em vez da competição forçada.

►Brent Ranalli
 A luta histórica pelo direito a pensão universal para idosos foi o preâmbulo do que é hoje a Segurança Social e deve inspirar o RBI do futuro.

Apelar ao sentido de justiça
 Envolver a classe Média
 Não partidarizar
 Ser um Direito Universal e não uma iniciativa «anti-pobreza»
 Mobilizar pessoas com disponibilidade ativa (ex:estudantes e idosos)
 Apelar à comunhão de interesses individuais e altruístas.
 Mostrar que uma gestão melhorada beneficia todos.
 Mais popular é a ideia e menos impopular é o seu financiamento.
 
►Ashley Enge
Perante todas as políticas fracassadas, O RBI é a solução contra o tráfico de pessoas pois atua na raiz da sua causa que é a insegurança económica.
O RBI é a segurança que combate a vulnerabilidade ao tráfico de pessoas e a escravidão humana.

[Sessão 5]

►Jim Bryan
A crescente desigualdade tem reflexos negativos na natalidade. EUA, Reino Unido e Itália tem as taxas de natalidade mais baixas entre os países desenvolvidos. No campo oposto, confirmando a correlação, temos a Dinamarca, Finlândia, Noruega e Suécia.

►Sean Healy
O desemprego mundial vai em 220 milhões de pessoas numa tendência de aceleração que só uma criação massiva de trabalho, estatisticamente inimaginável conseguiria deter.
Estes factos são definitivamente os «pregos no caixão” da miragem do Pleno Emprego.

[Sessão 6]

►Frances Fox Piven
O RBI é uma ideia boa demais para ser apenas uma ideia.
É tempo de uma estratégia para este combate difícil, contra quem poderosamente sabe dizer às pessoas o que elas querem ouvir. Não é por acaso que há público mal informado e difícil de alcançar.”Temos inimigos lá fora, e eles também podem sussurrar palavras mágicas para o ouvido do público.”
Muros de silencio tem mantido o tema do RBI escondido da opinião pública.
É necessário romper as paredes construídas em torno dela e de outras boas ideias.

►Diane Dujon
Optamos por nos auto-incluir na «classe Media” e essa ilusão de superioridade e de segurança faz-nos ver o mundo como merecedores e não-merecedores. Esta presunção afasta-nos uns dos outros mas no final seremos todos vitimas.
Este país está a ficar ridículo,e temos de começar a perceber o que está a acontecer com todos nós.

►Marian Kramer e Sylvia Orduno
Lutas e cisões têm pontuado o declínio do sistema de Bem-estar enquanto «pessoas morrem literalmente nos degraus de igrejas».
Interesses poderosos criam divisões artificiais para minar e enfraquecer a solidariedade na união necessária para a defesa dos direitos universais.

O RBI é a ideia que pode unir todos de novo por um ideal comum.

[Sessão 7]

►Mary Bricker-Jenkins
 “Alguma coisa aconteceu com as formas fundamentais que produzem bens e serviços para a sobrevivência.” 
Detroit deve ser visto como um caso paradigmático do que nos espera a uma escala global:
Nos anos 70 a robótica desmantelou a velha indústria anunciando a mudança fundamental na forma de distribuir bens na economia mundial. O contrato fundamental foi rompido. Em Detroit agora mesmo luta-se pelo direito à água.

Os desempregados eram agentes do Mercado de Trabalho na medida em que tinham um peso económico na formação dos salários, desvalorizados sob a pressão da oferta de braços barata, abundante e desesperada. Hoje esses desempregados são meramente supérfluos, descartáveis, reduzidos a uma mera irrelevância económica. A sua vida deixa de ter qualquer valor numa perspetiva económica.
Não pode pagar pela água porque economicamente não existe? «então sinta-se livre para morrer
Sem RBI, as pessoas estão a assinar o seu testamento.

►Marian Kramer
Sem que seja assunto dos media, Detroit fecha a água a 30 mil pessoas.
Quem decide são pessoas para quem a vida ou a morte de 30.000 de moradores não impede de dormir.

►Sylvia Orduno
As pessoas precisam de saber o que está a acontecer.

Envergonhando a Declaração de Independência “Não há nenhuma razão para que no país mais rico do mundo, se passe fome, se fique sem água.

►Willie Baptist
O Governo, instituído para garantir o direito inalienável à vida, não só falhou, como continua a falhar num grau alarmante.

É necessário que as pessoas entendam que não há auto-excluídos mas sim pessoas a quem este sistema recusa o «direito de cidade». A universalidade do RBI consiste em, mais que acudir alguns, garantir que ninguém seja excluído.

A insurgência dos escravos há duzentos anos deve inspirar uma onda de indignação e de protesto por parte de todos, a começar pelos próprios explorados e excluídos até aqui conformados e apoucados na vergonha e na auto-culpa.
O RBI,mais que uma ideia, deverá ser essa nova atitude de auto-valorização.
[Sessão 8]

►Sid Frankel
Para uma estratégia de implementação do RBI, um sistema de dividendos como no Alasca que distribui dinheiro extra sem aumentar impostos pode ser preferível a programas mais completos do tipo BIG.

►Jurgen De Wispelaere
O RBI para ser levar a sério e confiável deve ser progressivo e evitar tensões e ruturas supérfluas para mobilizar o maior consenso e criar o maior círculo eleitoral possível.
Por exemplo, o argumento da segurança económica é mais pacifico e inclusivo que o da redistribuição. Num tempo onde a tecnologia e a globalização está a minar a segurança e onde o clima de perigosidade é crescente, o interesse de um RBI como um “seguro de vida” é transversal a toda a sociedade.

[Sessão 9]

►Jason Burke Murphy
O RBI não pode arriscar ficar a meio-gás numa solução parcial e acomodada como o dividendo Alasca ou um abono de família universal. Mas é pior ficar parado a aguardar uma versão pura. O caminho faz-se caminhando. O RBI pode substituir o Estado de Bem-estar em passos progressivos. Uma solução menos burocrática e mais efetiva levará as pessoas a fazer as perguntas certas.

►Jonathan Brun
O sucesso da divulgação do RBI passa por: uma identidade clara, uma ideia organizada, capacidade de comunicar, capacidade de ação, posição de influencia. 
Isso exigirá por exemplo poder ser explicado em 10 segundos. Ou ainda marcar a agenda nos media, ser noticia e amealhar pequenas grandes vitórias.

►Felix Coeln
O RBI em plena fusão de princípios com o Partido Pirata integra essa plataforma que defende o acesso livre ao conhecimento como património de todos.

Nós somos o poder, não os políticos. Não podemos renunciar às nossas responsabilidades. Cabe a nós, cidadãos, agir em prol de um direito de existência segura e participação cívica.

►Neil deGrasse Tyson e Bill Nye
Imagens facilmente compartilháveis, fortes, sensíveis, inteligentes ou com humor são um meio poderoso para chegar às pessoas.
A performance Suíça ( toneladas de moedas foram despejadas diante do parlamento) é um exemplo de ação simbólica e visual de sucesso mediático.

[Sessão 10]

►Alanna Hartzok
Num mundo cada vez menos seguro e com os sistemas sociais a serem desmantelados, a ideia de segurança é mobilisadora.

►Ian Schlakman,
O RBI é mais bem acolhido enquanto “Segurança Social para Todos” ou “Rendimento Básico de Segurança”. E quando compreendem, as pessoas começam a mostrar interesse independentemente da filiação partidária.

Ninguém criou a terra. Ela é por isso propriedade de todos e deve ser compartilhada.
A partilha dos recursos da terra não é uma ideia nova, e como o próprio RBI, o seu apoio também cobre o espectro — de Adam Smith a Karl Marx ou Henry George, o maior defensor de um Imposto sobre o Valor da Terra.

►Eduardo Suplicy
O Brasil tem a 1ª lei de RBI no mundo (desde 2014). A Bolsa Família constituiu o primeiro passo. “Uma vez que as pessoas entendam a ideia do bem comum, eles vão aceitar a ideia de compartilhar dividendos dos recursos naturais”.

[Sessão 11]

►Bill DiFazio
O capitalismo está a falhar. O seu modo de distribuir os recursos é um disparate. «O mercado livre não existe. Nunca existiu. “
 
►Steven Pressman
Um RBI para todas as crianças pode ser o melhor começo. Custa menos, é mais justo que o atual sistema de deduções fiscais que só beneficia quem desconta, não desincentiva o trabalho, e tem impacto sobre a pobreza de par com um aumento da classe Media e é uma extensão da licença parental remunerada com resultados comprovados.

►Peter Barnes
O imposto verde sobre o carbono para além de ajudar a financiar um RBI, pode ter um papel no controlo ambiental.

►Steven Pressman
O RBI como via para fazer ascender a população à classe Média é um argumento mais poderoso que o da redução da pobreza: embora se esteja a falar da mesma coisa, a diferença de perceção é enorme.

[Sessão 12]

►Diane Pagen
As dotações Federais para fins sociais são roubadas aos pobres pela ação intermediaria dos Estados que usam esses dinheiros para outros fins.
Ao contrario do que aconteceria com a atribuição direta e transparente de um RBI, este modelo social permite que essas transferências sociais não cheguem ao destino acabando por ser desviadas para esquemas de lucro.

Quando pequenas parcelas dessa verbas Federais chegam efetivamente a algumas das pessoas carenciadas a que se destinam, não respondem às suas necessidades básicas mas sim ao “controlo moral” dos seus comportamentos: programas motivacionais, aquisição de novas habilidades e capacidades, formação, reconversão, reinserção, técnicas ativas de procura de emprego, atividades extras de trabalho etc.
No entanto, são mais as pessoas submetidas a esses «programas» que os postos de trabalho que se criam. 
A América está a gastar bilhões de dólares por ano, não a ajudar quem mais precisa mas em programas de modificação massiva de comportamento baseados em realidades morais, sociais e laborais ultrapassadas e preconceituosas.

►Steven Shafarman
O Plano de Apoio às Famílias (FAP) de Nixon esteve perto de ser um RBI familiar: a lei aprovada pela Câmara acabou reprovada no Senado em 1970. Voltou a perder em 1976 quando Ford foi batido por Carter.
Das suas cinzas surgem siglas como EITC, TANF, e SNAP, programas de difícil acesso e que acabam por servir de forma encoberta interesses corporativos ao subsidiar a manutenção artificial de salários baixos e postos de trabalhos indignos em vez de reforçar a autonomia e o poder negocial das empregados como faria um RBI.
A raiz problemática destes programas é de natureza cultural: Convencionou-se socialmente que “todos os empregos são bons”.
 
As palavras Empregos ou Empresas não constam em nenhum lugar na Constituição dos EUA. Em ultimo recurso, a ideia de Estado promotor de emprego surgiu como artefacto de Franklin Roosevelt» como saída de emergência da Grande Depressão.

O RBI centra-se na dignidade dos cidadãos. Não cabe ao estado promover o Bem Estar das empresas mas sim o Bem Estar geral.
 
[Sessão13]

RBI uma ideia elegante num mundo caótico

►Jim Mulvale
A cada um, para todos, suficiente, sem contra-exigências. Estes são os 4 pontos fundamentais de qualquer RBI.

Todavia, isto não significa deitar fora a maquina Administrativa, Social e Fiscal. O RBI faz-se com todos e não exclui serviços, pessoas ou partidos.
A mensagem unificadora não é a da eliminação dessas valências tradicionais do Estado mas sim a sua otimização a beneficio de todos.

Compromissos práticos são preferíveis a confrontos ideológicos para se chegar a soluções verdadeiramente novas nascidas de novas formas de pensar.

A mensagem não terá de se cristalizar em algo de simples e abrangente, pode, ao invés disso, adaptar-se à diversidade e riqueza plural de argumentos, de interlocutores e de situações.

Tanto a versão mais liberal do RBI (um BIG em substituição de todos os serviços sociais) como a versão mais centralizada (serviços e apoios inspecionados) são modelos que merecem uma reflexão que remete para o papel do Estado na redução dos custos de sobrevivência básica pelo investimento social quer seja em infraestruturas (estradas, pontes…) serviços (educação universal, cuidados de saúde, bibliotecas, parques, creches) e apoios diretos como o RBI.
O que sabemos para já é que o atual modelo deve ser reinventado.

[Sessão 14]

RBI e ARTES

►Jude Thomas
A era digital veio dar às artes um mundo de possibilidades infinitas.”Pela primeira vez na história humana, uma peça de música, um filme, um livro, um poema, uma imagem, podem ser duplicados em número ilimitado e quase sem custo»
No entanto, a criatividade dos artistas deve dobrar-se aos imperativos dos financiadores dos seus patronos:Academias, Medias e indústria Cultural.
Um RBI liberta os criativos desta pressão dando-lhes a autonomia criativa para serem patronos de si-próprios. A onda de criatividade e inovação seria como uma «Seconde Renaissance”.

RBI VERDE
Sindicatos: de inimigos a aliados.

►Valerie Carter
A transição para uma economia verde, vê-se paradoxalmente travada pelos Sindicatos, cujos valores de solidariedade e de humanidade sacrificam por falta de alternativa aos imperativos de defesa do salário dos seus operários sindicalizados, mesmo se os seus empregos são ambientalmente destrutivos.

Um RBI financiado em parte por um imposto sobre o carbono neutro, não só por um lado garante a segurança e autonomia financeira dos trabalhadores, removendo essas barreiras sindicais às melhorias ambientais como ainda serviria de pressão e incentivo às empresas de utilização de fontes de energia mais limpas.

Os sindicatos, que hoje definham com o declínio da era industrial, teriam espaço para renascer em força revitalizados por uma nova coerência e integridade de valores, para uma nova luta, desta vez não setorial mas globalmente justa, no quadro de uma nova era.

RBI e ENERGIA

►Jim Mulvale
No ponto em que estamos duas direções estão à vista: “ caminhar para a construção de um futuro próspero e sustentável dos ecossistemas vitais» ou a continuação de um esquema auto-destrutivo até à sexta extinção em massa global.”

21 gigatoneladas de carbono é o limite máximo anual que a terra suporta. Dividido pela população mundial dá um limite per capita de 3 toneladas.

Um dividendo sobre o carbono não só iria recompensar os cidadãos de nações menos desenvolvidas como seria um fator dissuasor e disciplinador para as indústrias e nações mais poluidoras.

Mesmo principio para um imposto ecológico que penalizasse bens insustentáveis.

►Roy Morrison
 “A integração de uma “abelha” é uma grande ajuda para criar uma dinâmica global de justiça ecológica. A “abelha” e o BIG são expressões da busca global de sustentabilidade e de transição para um zero-desperdício/zero-poluição como condição para uma civilização ecológica sustentável.”

[Sessão 15]

►Ann Withorn
É tempo de nos colocarmos as perguntas certas se queremos respostas.

Há uma crescente desigualdade que se radicaliza nos salários, na riqueza, no poder e no respeito. O que vamos fazer perante isso?

Vamos ver uma classe emergente de pessoas (o ‘precariado” de Guy Standing) privadas de direitos numa forma radicalmente diferente de tudo o que conhecemos até aqui. Trata-se de uma “sub-especie humana” semi-escrava presa a um «trabalho de merda» num estado de servidão voluntária.

Já começou, embora hoje essas vitimas acreditam que isso as levará a algum lugar. As correntes são mentais. O medo e a desesperança.
No entanto, o medo da in-sobrevivência num mundo de abundância crescente revela-nos que não se trata de uma inevitabilidade natural mas de uma incongruência que só pode ser produzida artificialmente. E como tal, pode e deve ser repelida. «E antes que seja tarde demais.»
 «Temos a obrigação de sair desta sala e descobrir como construir um programa real de RBI.

A dívida do aluno, é um condicionamento prévio. É-lhe penhorada a vida e a carreira antes mesmo de a iniciar. «Trabalho mau é todo aquele que se faz para saldar dívida.

A atual justiça criminal é o próprio crime. O racismo tem aí as suas raízes.

Imputamos aos pobres a culpa da sua situação. É um modo covarde de nos livrarmos das nossas responsabilidades coletivas. As pessoas são ou não merecedoras de valor pessoal consoante têm ou não emprego. «Mas não há nada de errado com nenhuma delas. Isto é tão delirante! (…) Há sempre um momento em que precisamos de alguém.” Teremos de chegar aí para, e aí sim, percebermos que não é um problema só nosso?
Entretanto quase metade da América se dirige para uma situação de pobreza. «Precisamos aprender a ser uma sociedade. Todos precisamos de todos»
Por isso devemos valorizar toda a gente e o RBI é a maneira de fazer isso acontecer.
«O valor da vida de cada um de nós é inerente ao valor do outro.»
«Qualquer coisa menos do que o RBI fica aquém de uma sociedade que valoriza plenamente todos os seus membros

Quando abordamos o RBI, o próprio modo como comunicamos, deve ser a expressão dessa mudança de pensamento. «Estamos já a construir as pontes que de nenhuma outra forma poderiam existir»

►Diane Dujon,
A universalidade do RBI tende a ser algo que liberais e conservadores abominam. Mas já assim não acontece com “liberdade e justiça para todos.
O RBI pode encontrar na linguagem Constitucional um poderoso aliado na defesa universal dos ideais de liberdade.

►Frances Fox Piven
 O custo do RBI não é desculpa quando comparado ao que se gasta já com os atuais programas altamente dispendiosos e ineficientes. A otimização do sistema tributário, passa por uma nova forma de ver o património natural como riqueza coletiva: «Aquilo que ninguém produz pertence a todos.». Essa abordagem é suficiente para proporcionar a cada ser humano os recursos necessários. «Esta é uma decisão global com consequências globais» para uma nova era de prosperidade a que nenhuma nação se poderá subtrair.

►Eduardo Suplicy
Imagine-se o efeito que teria o RBI no Iraque ou qualquer outro lugar do planeta. O RBI é «um instrumento muito importante para o projeto de paz para o mundo».

[Sessão 16]

RBI e viabilidade planetária

►Peter Barnes
 «O capitalismo sofre de duas falhas fatais: concentra a riqueza e destrói a natureza.»
A solução a isto poderá vir na forma de «dividendos de recursos comuns».
Uma nova gestão do valor da terra, seus recursos naturais, das criações sociais e tecnológicas globais como a Internet.

Estamos assim perante uma conceção completamente nova: direitos naturais universalmente assegurados pela receita da herança compartilhada.
Isso afasta-nos definitivamente da visão mesquinha e paternalista do atual sistema caritativo e taxativo «a proveito de uns» e pago pelos «impostos de outros».

É igualmente vantajoso que tal não dependa de restrições orçamentais e ciclos políticos.
O Alasca é o melhor exemplo: Petrolíferas pagam royalties ao povo do Alasca.
Dividendos desse fundo são distribuídos anualmente por todos os cidadãos em dinheiro e em isenção total de impostos.

Trata-se de um conceito justo e simples, extensível a todos os recursos que intervenham na obtenção de lucros: água, minerais, árvores, ar, luz solar, espectro eletromagnético, etc.
Um cálculo recente estima entre US $ 3.000 a US $ 4.000 o valor que cada Americano, homem, mulher ou criança (valores próximos aos do Alasca) poderia esperar.
Se a este dividendo universal fossem acrescidos os atuais custos sociais, US $ 8.000- $ 10,000 seriam os valores por indivíduo e isto, sem qualquer tipo de aumento de imposto sobre rendimentos.

Na Noruega, as petrolíferas pagam royalties de 50% e 28% de imposto sobre as sociedades. E estas aceitam porque ainda lucram. Os seus cidadãos beneficiam ainda de um leque vastíssimo de serviços públicos gratuitos, enquanto no Alasca beneficiam ainda de isenção fiscal sobre os rendimentos.

Para além disso este sistema revela-se extremamente eficaz levando as grandes corporações a cumprirem com as suas responsabilidades sociais e ambientais invertendo a tendência que se tornou norma de isenção e fuga de impostos em todas as partes do mundo.

[Nestes países, estes fundos são RBIs parciais garantidos às gerações presentes e ainda «seguros de vida» das suas gerações futuras. Ao invés disso, na generalidade dos países do resto do mundo gerações futuras vão nascer endividadas enquanto grupos multinacionais concentram poder e riqueza, delapidam os recursos, poluem a terra, dizimam espécies, exploram pessoas, e fogem às leis e aos impostos].

O que oferece um RBI do tipo Alasca:
 Fundo constituído por uma renda sobre exploração dos recursos comuns
 Sua distribuição a cada cidadão por igual (RBI)
 Nenhum aumento de imposto sobre rendimento, consumo e património.
 Serviços sociais de qualidade e gratuitos. Nova consciência Fiscal, Ética e Ecológica inclusive por parte grupos multinacionais. Uma sociedade menos desigual, mais solidária e mais prospera.

[Sessão de encerramento]

►Karl Widerquist.
A 15 anos da sua criação, e com o impulso deste encontro, não terá chegado a altura do USBIG gerar um movimento de ativismo político nos EUA?
Nessa perspetiva vários grupos deliberam sobre estes temas:

Aplicar estratégias mediáticas nos EUA a exemplo da iniciativa Suíça.

Lançar uma petição para um milhão de assinaturas a entregar em mão ao novo Presidente em 2017.
 
 Promover a candidatura para o futuro 2º Estado dos EUA seguir ao Alasca, a implementar o RBI.
 
 Fazer as pessoas pensar. Convidá-las a imaginar os efeitos possíveis que o RBI teria nas suas vidas.
 
 Incluir grandes grupos sociais como é o caso das mulheres. De que modo o RBI afetará as suas vidas e sua emancipação. Qual o papel que elas podem vir a desempenhar nesta dinâmica.
 
 Otimizar o uso das redes sociais (já foram constituídos grupos para Wikipedia e Facebook).
 
 Lançar e expandir experiências reais como o projeto de Michael Bohmeyer, «Meu RBI» (Mein Grundeinkommen) que implementa na Alemanha uma simulação real através da atribuição de um RBI a cidadãos sorteados. Este e outros projetos inovadores estão em curso na Alemanha (Sistema de cartões clonáveis, moedas locais financiadas por rendas sobre terrenos, etc ) pretendem entender como é que em situações reais, o RBI muda a vida das pessoas.

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Nota final:
E quanto a cada um de nós? Que podemos fazer para que o RBI aconteça?

“Este velho sistema tal como vigora merece um fim. É uma farsa, uma mentira, uma ilusão distorcida” Scott SANTENS

É tempo de pôr termo ao atual modelo assistencialista, paternalista, moralizador, despesista e discriminante que acaba por isolar e vulnerabilizar ainda mais aqueles que finge ajudar.

Por um sistema que em vez de julgar e subjugar quem precisa, demonstre confiança e assegure a todos liberdade e autonomia.

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[ Síntese de Teix’15 ]

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