Mario Draghi, presidente do BCE é alvo de uma ação de protesto durante uma conferencia em Frankfurt, Alemanha, 15 de Abril de 2015. Ralph Orlowski / Reuters

QE para os cidadãos

Carlos Teixeira
Dec 1, 2015 · 4 min read

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flexibilização quantitativa (Quantitative easing) para os cidadãos: Inicio da campanha europeia.

O montante mensal (€ 60 mil milhões, e agora aumentado para € 80 mil milhões) atualmente criado em moeda nova pelo Banco central e entregue às mãos dos interesses bancários, daria para distribuir a cada cidadão europeu perto de € 200 mensais durante um ano e meio, com efeito positivo e imediato na economia real.

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Texto:Pierrick le Feuvre, publicado no Movimento francês pelo Rendimento Básico (MFRB), nov 2015.
Adaptação para Português: Teix´15

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Está a ser lançada uma campanha europeia apelando ao Banco Central Europeu (BCE) para que use o seu poder de criação de dinheiro em beneficio direto da população. Por exemplo através da distribuição de um dividendo a todos os cidadãos europeus. Explicações:

Vinte organizações da sociedade civil, economistas e ativistas apelam a uma alteração radical da abordagem que o BCE tem adotado até aqui para impulsionar a economia da zona do euro.

Desde março (2015), o BCE, com efeito, lançou um programa de flexibilização quantitativa (QE), visando a compra de ativos financeiros nos mercados. Assim, injeta € 60 mil milhões por mês no mercado, principalmente através da compra de dívida soberana aos bancos para aliviar os seus balanços. No entanto, os resultados desta política de criação monetária permanecem insignificantes para a economia real e sem qualquer efeito sobre a inflação.

Segundo os promotores da campanha de flexibilização quantitativa para as pessoas, é hora do BCE adotar uma intervenção mais direta e mais eficaz.
Em vez de inundar os mercados financeiros com milhares de milhões de euros atribuídos à recompra de títulos da dívida pública aos bancos comerciais ou empresas de seguros privados, a moeda criada pela flexibilização quantitativa deve ser injetadas na economia real. Quer através do financiamento de investimentos públicos vitais, tais como a transição ecológica e a criação de habitação social. Ou ainda através da distribuição de um dividendo a todos os cidadãos residentes. Ao alocar os fundos atualmente criados pelo BCE, um tal dividendo cidadão permitiria distribuir por cada europeu 175 euros mensais durante um ano e meio. O que imediatamente faria aumentar o consumo e aliviar a situação das populações mais precárias.

Este apelo em favor de uma flexibilização quantitativa para as pessoas une vários grupos em toda a Europa, incluindo em especial a Rede Europeia para a renda básica (UBI-Europa), o MFRB (RBI-França), Social Justice Ireland (Irlanda), World Future Council (Alemanha) , FairFin (Bélgica) e ainda Alternatives européennes e Collectif Roosevelt pour la France (França).

Veja a lista completa aqui.

De acordo com Matthias Kroll, do World Future Council “, o programa de flexibilização quantitativa do BCE, até agora provou ser totalmente ineficaz no seu objetivo de fazer subir a inflação de 2%.” Para ele, “inundar os mercados financeiros infla os preços de ações e títulos, tornando os ricos mais ricos, mas não ajuda nem as famílias nem as empresas. “Kroll considera ainda que “a flexibilização quantitativa está a alimentar uma nova bolha financeira, condição para despoletar uma nova crise financeira. “É por isso que está convencido de que “a zona do euro precisa de um estímulo mais direto e, sobretudo, mais eficaz.”

Apesar do fracasso de flexibilização quantitativa até hoje, muitos observadores esperam que o BCE anuncie uma ampliação do programa na próxima reunião que terá lugar na quinta-feira 3 de dezembro de 2015.

Para Eric Lonergan, um gestor de fundos que tem escrito amplamente sobre o assunto , “esta campanha reflete um crescente consenso sobre a ineficiência da atual política monetária. Para cumprir o seu mandato, o BCE precisa de se dotar de novos instrumentos para lutar contra a deflação. Os países da zona do euro precisam relançar as suas economias sem aumentar a dívida pública e privada, sem aumentar a desigualdade, e sem criar novas bolhas financeiras.

A ideia de uma flexibilização quantitativa para o povo fez o seu caminho nos últimos anos. Foi lançada por Steve Keen e Anatole Kaletsky em 2012 e no início deste ano, dezenove economistas, muitos dos quais defensores do renda básica, assinaram uma carta ao Financial Times de apoio a esta medida.
Veja a carta aqui.

A ideia, inscreve-se portanto claramente nalgumas abordagens de financiamento do rendimento básico (RBI) baseadas na criação monetária.
Veja a proposta aqui.

Mais recentemente, Pascal Riché, jornalista do Obs, escreveu: “As centenas de milhares de milhões de euros distribuídos pelo BCE poderiam, se fossem mais bem direcionados, realmente mudar a realidade economica. A criação de dinheiro é um instrumento demasiado poderoso para ser subtraído à esfera democrática, demasiado importante para ser confiscado pelo mundo da banca.”

Veja o artigo aqui

A campanha agora lançada visa criar uma ampla mobilização da sociedade civil em apoio à ideia de flexibilização quantitativa para as pessoas, aprofundar a investigação sobre este tema e influenciar os decisores europeus para a implementação desta medida o mais rapidamente possível.

Para aderir à campanha, visite www.qe4people.eu

Pierrick le Feuvre, nov 2015
Trad. Teix´15

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