La La Land, 2017.

“Here’s to the ones who dream; Foolish as they may seem; Here’s to the hearts that ache; Here’s to the mess we make”

Uma multidão brilha sobre o sol escaldante de LA, parados em um imenso engarrafamento. Sim, La La Land se inicia com uma metáfora a fila de sonhos que Los Angeles enfrenta diariamente, também nessa cena inicial, ao esquecer dos nossos protagonistas durante sua primeira performance, La La Land nos deixa sua maior intenção. É apenas uma das vastas e muitas histórias que Los Angeles vai nos contar.

Aqui eu me sento e escrevo.

Primeiramente pedindo desculpas, não poderei rechear esse texto com referências a musicais. Durante muito tempo me tranquei a um ridículo preconceito com o gênero, de fato, mas se ao ler sobre Kelly, Astaire e Mineli comecei a me apaixonar por ele. La La Land é a concretização desse amor.

E sobre este, finalmente, La La Land é uma carta, uma carta escrita por alguém que perfeitamente entende o seu destinatário, alguém que não se preocupa em exagerar na carga de sonhos que permeia sua ortografia, que não se preocupa em rabiscar nos momentos em que escreve coisas dolorosas, alguém que não se preocupa em detalhar as cenas que vão te fazer encher os olhos de magia. Uma carta escrita pelo maior admirador da arte, o Artista.

E Chazelle, lidando pela segunda vez com artistas atrás dos seus sonhos, pela segunda vez acerta, sabendo nos mostrar até onde os seus personagens estão corretos e onde não. E mesmo que pareça mais difícil fazer isso em um musical, quando você tem toda aquela áurea de magia ao seu redor, mesmo que pareça ainda mais difícil fazer isso quando se tem um casal como protagonista, Chazelle faz ministrando uma aula.

Nos personagens, Mia interpretada por Emma Stone, é uma jovem que sonha ser atriz, Ryan Gosling interpreta Sebastian um saudosista que tenta salvar o Jazz Puro, mesmo que excelentemente construídos, os personagens dos dois se tornam mais importantes por não se importarem em serem usados muitas vezes como vitrines para a construção de uma atmosfera que acaba deixando sua trama simples ainda mais interessante.

Apresentando menos músicas do que o esperado, La La Land constrói uma história não exatamente em cima de uma trama forte, mas sim em seus cenários, não-protagonistas, e principalmente de sua diegese completa, tanto que se o filme passa alguma mensagem densa em sua trama, acaba por ser coincidência, afinal, como disse, La La Land está mais interessado em te enviar uma carta em que declara seu amor do que uma carta onde julga-o.

Quando a tela do cinema foi tomada pela tradicional palavra “Fim”, ainda admirado, e sim, com os olhos lacrimejando, fui atingido pelo fim daquela carta, mesmo que em seu envelope estivesse escrito Endereço e Nome do Remetente e o final me indicasse que eu podia correr atrás dele a qualquer segundo, mesmo sabendo de todas as dificuldades, La La Land é uma carta de esperança.

Tenho consciência de que assisti a muitos filmes na hora errada e arruinei o momento com o sentimento errado, mas com La La Land não existia momento mais certo pra assistir a esse filme. E enquanto eu andava pelo parque do estacionamento, sozinho, interpretando a minha versão de Mia/Sebastian que nada mais é do que um adolescente aspirante a arte, eu queria abraçar todos aqueles que me abraçam ou algum dia abraçaram. Porque eu sei que eu não sou o único, como eu sei que não sou o último.

E aqui, escrevo esse texto também em formato de carta, destinado a talvez quem mais abraçou a minha estrada pra La La Land, obrigado Yas.

Dirigido e Escrito por Damien Chazelle, cinematografia de Linus Sandgren, músicas por Justin Hurwitz, e estrelado por Emma Stone e Ryan Gosling, La La Land começou a brilhar no dia 12 de Janeiro de 2017.

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