Short Story #2: Quem é o público do cinema?

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Imagine a seguinte cena: Você entra em uma sala onde o novo está sendo prometido, você tem apenas um breve conhecimento sobre o que é ou o que vai sentir, mas ao entrar naquela sala, ao experimentar o novo, você está presenciando o futuro. Consegue imaginar? Possivelmente não, porque provavelmente você nunca viveu ou se permitiu viver algo assim, não nos dias que presenciamos. Nós sempre sabemos mais do que deveríamos sobre as surpresas que o mundo tenta nos espreitar.

Sendo objetivo, sempre soubemos o que era a imagem, afinal, nós tínhamos ela a nossa frente, nós víamos as coisas, mas o fenômeno em torno dela se deu quando descobrimos que era possível domá-la, aprisioná-la; durante muito tempo, essa foi a maior descoberta a respeito da imagem, a captura dela, até que um dia aprendemos a manipular essa captura e imitar o movimento do nosso cotidiano. E foi aí que o cinema surgiu.

Em 1895, em uma cafeteria francesa, a sociedade foi surpreendida pelo efeito estrondoso de um trem chegando a sua estação, agora, o real se tornava copiado por um projetor sobre um pano branco, a mesma sociedade via seu cotidiano sendo domado em imagens que combinadas, eram a representação da imagem movimentada que nos cerca. Não levou muito tempo até que o nosso cotidiano fosse se tornando cada vez uma fonte menor de inspiração para o cinema, esgotamos os metrôs, os aviões, as pessoas, os animais, a sociedade e o que a cerca até que fomos levados a um novo mundo. E então imaginamos.

Criando agora em torno da nova ferramenta imagética um imaginário que levaria a sociedade a viajar para a lua, a cabeça de um cientista inflando, e a vários outros conceitos que antes tinham sido experimentados em artes como o teatro, pintura e o circo, mas nunca tinha tido uma aparência tão semelhante a realidade.

Os primeiros passos do cinema foram talvez os mais rápidos de toda a sua existência, e o mais interessante era o rápido deferimento de apreço do público pela arte que enquanto começava a caminhar, já participava do imaginário popular durante aquela época, a resposta pra esse interesse é fácil de encontrar até mesmos nos primeiros filmes.

Quando ao sair da fábrica mesmo coordenados a não olhar para a câmera, muitos não resistiram e encararam o cinematógrafo construído e maquinado pelos Lumiere, e assim também como os olhares atentos durante a gravação de “Chegada do Trem a Cidade”, foi a mesma razão que levou o espectador a se interessar pela área circense dos filmes de Melies, ou pela pioneiria narrativa de Porter em “O Grande Roubo do Trem”, era a expectativa pelo novo que incendiava a curiosidade da sociedade daquela época.

Mesmo que ainda se acostumando com o cinema e com a máquina, o público era dominado pelo imaginário de onde aquilo poderia chegar, e esse efeito de êxtase só veio parar um longo tempo depois com a chegada e popularização da TV, mesmo ali as produtoras e grande majors foram capazes de pensar em onde inovar para chamar atenção do público com o cinema.

O fato é, o público do cinema desde seu início é assiduamente fascinado pelas invenções que essa arte é capaz de proporcionar, este, alcança nele um patamar de imersão em uma realidade que mesmo semelhante é distinta da nossa — afinal, no cinema, vemos nos filmes apenas o que importa e não os pequenos detalhes recorrentes de uma vida “real” — e dali absorve da capacidade de poder pensar em seus problemas em torno de outro representado na tela. Mas porquê este mesmo público não se reflete no de hoje?

Short Story #2: Quem é o público do cinema?

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