BE+YONCÉ = Seja + revolucionária

Por Valber Silva
Divulgação

São 34 anos de história, quase 20 anos só de carreira na música, iniciou a vida artística como integrante de uma das maiores “girlbands”, banda de garotas, da história e continuou na carreira solo com hits que jamais serão nos últimos três anos revolucionou duas vezes na forma de lançamento de álbuns e que vem inspirando outros artistas a seguirem os mesmos passos.

Tudo começou em 2013, após a chegada da maternidade no início do ano anterior, Yoncé, forma pela qual é conhecida pelos fãs, decidiu entrar em turnê como forma de voltar aos palcos. A turnê foi em suporte ao seu quarto álbum, o “4” (Four), lançado em 2011, período em que descobriu a gravidez. Durante a turnê, que se estendeu no ano todo, a cantora foi vista em estúdio várias vezes, mas nunca deu nenhuma declaração que estaria trabalhando em novo álbum. Uma forma escolhida pela cantora de proteger seu novo trabalho, o CD anterior da cantora vazou dias antes do seu lançamento, o que prejudicou nas vendas iniciais.

Na noite do dia 13 de dezembro, os fãs foram surpreendidos com o CD homônimo da cantora sendo disponibilizado para venda nas lojas digitais, e com algo que chamou ainda mais atenção, todas as músicas do álbum já possuíam videoclipes. O disco visual abalou as estruturas e vendeu quase um milhão de cópias mundiais na primeira semana, nos EUA a marca foi batida na segunda semana. Ao todo já foram comercializadas mais de três milhões de cópias mundiais. A obra de Beyoncé venceu várias premiações, incluindo três Grammys em 2015. Após o sucesso estrondoso do seu álbum homônimo, a cantora finalizou sua turnê em 2014, adicionando as novas músicas, e realizou uma mini-turnê com o marido, Jay-Z na metade do ano.

Com o ano de 2014 finalizando e a divulgação do álbum Beyoncé chegando ao fim, iniciou o processo de expectativa dos fãs e da imprensa mundial para uma nova obra da cantora. Enquanto aproveitava seu descanso, a cantora via seu legado inspirando outros artistas. Ainda em 2014 a banda U2 utilizou de técnica semelhante e disponibilizou todo o seu álbum de surpresa para os assinantes dos serviços da Apple, como o iTunes. Já em 2015, o cantor Justin Bieber não disponibilizou todo o seu álbum de uma vez, mas um dia após o lançamento do CD ele divulgou os videoclipes de todas as músicas. No início de 2016, a cantora Rihanna e o rapper Kanye West liberaram os seus álbuns completos no serviço de streamings Tidal, o qual Beyonce é sócia minoritária ao lado de seu marido. O rapper Drake também usou a mesma tática mas na recém-lançada Apple Music, inclusive o artista acabou por se tornar concorrente de Beyoncé neste ano. Sim, neste ano.

No início de 2016, após longas férias, a cantora foi flagrada nas ruas de Nova Jersey gravando um clipe. Semanas depois, foi disponibilizado o videoclipe da polêmica música, Formation, que fala sobre o preconceito racial sofrido pelos negros norte-americanos. Foi perceptível que no clipe não tinha nenhuma cena em que Beyonce foi flagrada gravando, o que deixou a imprensa em alerta para um novo álbum visual. No mesmo dia, 6 de fevereiro, a popstar divulgou sua nova turnê com o inicio marcado para abril.

Em 16 de abril, foi confirmado o que todos esperavam, Beyoncé lançaria um álbum visual em forma de filme com estreia no dia 23 de abril pela rede de televisão HBO. A transmissão do filme foi um sucesso e demonstrou como a cantora está engajada na luta pela igualdade racial, além de revelar uma possível crise no seu casamento devido a uma traição cometida pelo marido. O CD Lemonade (tradução, Limonada) abriu portas para um novo marco na carreira da cantora e a ascendeu ao patamar de revolucionária na indústria da musica. Neste mês de julho de 2016, o documentário foi indicado a quatro Emmys, premiação mais importante da televisão americana.

Beyoncé e Lemonade, o que ambos possuem em comum? Talvez o fato de que abriram os olhos na indústria da música para novas formas de lançamento de discos e de videoclipes. Abriram os olhos para uma cantora que mesmo com tantos sucessos em sua carreira, ainda era subestimada por muitos devido a sua cor ou pelo seu gênero, a botou em um patamar de respeito e admiração por uma grande parcela da população que ganhou mais voz e mais visibilidade. Despertou a raiva e a surpresa por outra que jamais esperava críticas a seu respeito de uma cantora que, para eles, estava sob seu controle e que de repente “virou negra”.

Beyoncé e Lemonade, mais do que álbuns comerciais, álbuns de independência, álbuns de uma nova revolução.