O prazer da carne
Por Vitória de Cássia
Durante toda a historia do mundo, foi possível observar a tendência de que uma determinada espécie se sobrepunha a outra. É assim no reino animal, é assim no reino vegetal. É assim na humanidade. Regimes como o nazismo de Hitler, nada mais queriam do que a sobreposição da espécie ariana, perante o resto da população, por julgar-se superior. A relação de servidão que pautou a escravidão no Brasil, nada mais foi do que a sobreposição do homem branco, diante da população negra. Os exemplos citados são considerados episódios lamentáveis na história do planeta, porém, é dessa maneira que o Veganismo classifica a relação os animais e os seres humanos. Na realidade, os termos corretos são animais humanos e animais não humanos.
Mas em que, de fato se baseia a ideologia vegana? De acordo com ela, todos pertencemos a uma mesma classe de habitantes da terra, distintos pelas espécies. Dessa forma, seria correto afirmar que homens e animais, possuem os mesmos direitos, bem como dentro da espécie humana, homens brancos, negros, mulheres e crianças devem supostamente também usufruir dos mesmos direitos.
Portanto, não seria ético submeter animais não humanos ao regime de espécies, utilizando o argumento de que homens e animais são seres distintos, assim como não é ético submeter seres humanos (distintos entre si) a regimes exploratórios, escravocratas. Além disso, também afirma-se que os animais possuem senciência, que é a capacidade de sentir, e o que diferencia seres humanos de espécies vegetais, por exemplo. Dado esse fato, submetê-los a trabalhos forçados, situações de confinamento, o consumo de sua carne, sua criação para o abate, e qualquer atividade que seja distinta de sua natureza, fere seus direitos naturais.
Um adepto ao veganismo segue estritamente preceitos fundamentais, como não consumir carne de animais (qualquer um deles) — insetos ou qualquer produto derivado, como ovos, laticínios, mel, embutidos. Além disso, não consome produtos produzidos com a força animal, ou testados em animais como cosméticos, produtos de higiene, medicamentos. Isso também se aplica ao uso de animais como forma de entretenimento, ou seja, vaquejadas, zoológicos, touradas e rodeios. Roupas, peles, acessórios etc.

Uma indústria que distribui um produto livre de substancias de origem animal, mas que as utiliza em outras composições, de fato não entra na lista de consumo de um vegano. Um restaurante que oferece em seu cardápio pratos, livres de ingredientes derivados, produzidos com a força ou testados em animais, mas que nesse mesmo cardápio oferece um prato com a utilização de ovos ou queijo, certamente não entra na lista de possibilidades de um vegano. Mas é importante salientar que o veganismo, não equivale a vegetarianismo. Isso porque um vegetariano segue uma dieta livre de carne de animais, enquanto um vegano assume a ideologia de direitos dos animais.
Esse movimento vem crescendo dadas as devidas proporções, e muito se deve a maneira como a abordagem é realizada. Filmes como o norte-americano Earthlings (Terráqueos), ou o brasileiro A carne é fraca, ficaram conhecidos por suas cenas impactantes e imagens reveladoras sobre as indústrias de cosméticos, farmacêutica, alimentícia, pet shop. Muitos julgam as produções como chocantes e acreditam tratar-se de exagero, mas os produtores afirmam que nada mais são do que a realidade por trás do que não se vê.
Existem diversas críticas ao veganismo, uma delas é relacionada à dieta altamente restrita. Quanto a isso, os adeptos afirmam que todas as substancias presentes nas frutas, vegetais, grãos e hortaliças consumidas são suficientes para promover a nutrição dos seres humanos. Já em relação às proteínas, aquelas provenientes da soja podem substituir as de origem animal.
Não é fácil identificar um produto de origem 100% vegana, já que ele deve seguir simultaneamente vários preceitos, porém, existem alguns selos capazes de auxiliar. O símbolo da BUAV, com um coelho e duas estrelinhas, garante que nada foi testado em animais. Este símbolo não garante, contudo, que o produto não tem ingredientes de origem animal. O símbolo da Vegan Society, com a palavra “Vegan” e um girassol, garante que se tratam de produtos veganos. Também o símbolo da EVU, com a palavra “Vegan” certifica os produtos veganos. Existe também uma lista de empresas que não testam seus produtos finais em animais.


