O que o povo quer ouvir?
O desafio de um novo discurso político nas Eleições 2016
Por Bianca Alves

Com a pequena reforma ocorrida em 2015, materializada na Lei nº 13.165/2015, mudanças importantes foram realizadas nas regras da disputa eleitoral: novos prazos para as convenções e filiações partidárias, redução no tempo de campanha no rádio e na TV, assim como a proibição do financiamento eleitoral por pessoas jurídicas, ou seja, chegamos ao fim das doações de empresas para partidos e candidatos.
Além de dependerem apenas de doações de pessoas físicas e do Fundo Partidário (uma pequena vitória na busca por mais transparência), o maior desafio para os candidatos a prefeito e vereador, nas eleições deste ano, é adotar em suas campanhas uma abordagem que, acima de tudo, faça o eleitorado voltar a acreditar na política. Ou melhor, nos políticos.
O momento atual, entretanto, é predominantemente de descrença: no mundo, no ser humano e, principalmente, neles. De acordo com uma pesquisa da organização GfK Verein, que mediu a reputação de diferentes profissões no mundo em 27 países, apenas 6% dos brasileiros confiam nos políticos, colocando o Brasil na última colocação deste ranking, empatando com Espanha e França.
A crise de representatividade e credibilidade na política brasileira é extremamente complexa e traz consigo desafios ainda maiores para os responsáveis pela comunicação eleitoral dos candidatos ao pleito.
Superar a demagogia nos discursos de campanha, especialmente quando não há vontade real de abandonar essa prática — e que, a depender do público, continua funcionando –, segue firme no topo da lista de desafios, há muito tempo. Novos aspirantes a políticos, em sua maioria, adotam discursos velhos enquanto velhos conhecidos do povo aspiram novos discursos para um público que, na realidade, já está cansado de ouvir, seja de quem for.

Para além das discussões sobre a corrupção no sistema e a briga descarada pelo poder entre os partidos tradicionais, (pois antes mesmo da eleição da atual presidente afastada já se adotava nas campanhas o discurso da “nova política” e de um “novo Brasil”), talvez o grande desafio para os que buscam conquistar a confiança de um voto, em meio à falta de credibilidade de uma classe inteira, seja despertar nas pessoas a simples vontade de ouvir.
A diminuição do período de campanha eleitoral em mais de um mês e a redução de 45 para 35 dias no período de propaganda no rádio e na televisão vem de encontro ao desgaste causado por anos destes discursos repetitivos e promessas não cumpridas. Candidatos a vereador, inclusive, não terão mais espaço na propaganda eleitoral, no horário gratuito.
Essas mudanças não só aumentam a disputa entre os partidos, mas exigem a mudança de postura aos que desejam se destacar, não deixando mais margem para campanhas pautadas para os erros de administrações passadas ou para a pura promoção pessoal. As pessoas estão cansadas de saber quais os problemas e o que é necessário fazer, querem alguém que torne o “como irão fazer” interessante o suficiente para ouvir.
Frente uma sociedade onde todos têm algo para falar, talvez a dúvida real seja: Quem o povo irá ouvir?