Uma Catástrofe Chamada Trump

Está sendo muito divertido ver os figurões do Partido Republicano, como se encarnassem Pedro numa representação da Paixão de Cristo, fingirem que não conheciam o candidato que apoiaram durante meses. Candidato este que insultou mexicanos, mulheres, muçulmanos, deficientes, negros e praticamente toda forma de vida no planeta.

Ao que parece o atual Partido Republicano é composto, em sua maioria, por hipócritas, pois os que hoje se horrorizam ao ouvir Donald Trump falando em agarrar uma mulher pela buceta, são os mesmos que fizeram ouvidos moucos, e ainda defenderam, um infindável desfile de comportamentos e declarações asquerosas, que não deveriam ser ditas por qualquer pessoa, que dirá pelo candidato à presidência do país mais poderoso do mundo.

Quando, ainda no início deste circo, vozes dissidentes se levantaram para dizer que Trump era perigoso e que causaria dano praticamente irreparável ao Conservadorismo verdadeiro, não apenas dentro dos Estados Unidos, mas globalmente, muitas vozes, hipnotizadas pelo discurso de ódio populista, atacaram quem ousava pensar diferente. Confesso que sinto enorme prazer em dizer: “eu avisei.”

O conteúdo do discurso de Trump, nas gravações publicadas nos últimos dias, não provocou em mim o mais mínimo espanto. “Sim, isso é Trump”, pensei eu após ouvi-las, sem entender direito o motivo de tamanha comoção já que o mesmo havia dito, e feito, coisas muito piores ao longo dos últimos meses. A hipocrisia dos que se chocaram é algo muito curioso. Esperavam o que de um homem que chama a própria filha de “gostosa”?

Trump, em si, não é nada, logo será esquecido, e seus descendentes gozarão de vidas confortabilíssimas independentemente do que possa acontecer nessa eleição.

No entanto, o legado de Trump é o que realmente importa. Manchará, ainda mais, o conservadorismo com seu racismo, xenofobia e machismo, e deixará prejuízos aos Republicanos pelos próximos 50 an0s, no mínimo. Trump é, neste sentido, a superação dos mais selvagens desejos que os Democratas pudessem ter.

A onda de republicanos influentes que retiraram apoio e deixaram claro que, ainda que não votem em Clinton, não votarão em Trump é enorme e tende a crescer. Isso não está acontecendo necessariamente devido à fibra moral destes políticos, mas sim como consequência do entendimento de que este escândalo custará muitíssimo caro aos Republicanos nas eleições da Casa dos Representantes.

O Partido Republicano corre um seríssimo risco de perder a maioria dos membros do Congresso, coisa que somada à quase certa eleição de Clinton, daria aos Democratas o controle geral do sistema político nos Estados Unidos.

Trump não renunciará. Não, ele é pequeno demais para isso, mesquinho demais para isso, egoísta demais para isso. Um homenzinho absolutamente ínfimo, insignificante, com sérios vazios existenciais e que não se importa com a política, com o destino do país e muito menos com o destino do partido de Lincoln ou com o Conservadorismo.

Fica claro agora que nós, os que não nos deixamos enganar por esta farsa chamada Trump estávamos certos?

Fica claro agora que ao não adular este homenzinho repugnante não o deixávamos de fazer por birra, mas por entender que ele era um perigo?

Espero que fique, pois o Trump Train está a descarrilar, mas não foi por falta de aviso.

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