pequena lista de coisas a cumprir

- ler mais livros do philip roth, muito embora digam que ele é misógino (a literatura nada tem a ver com o caráter do escritor, não ligo).

-não comprar mais livros na promoção da cosac naify. além do catálogo um pouco capenga, todos nós sabemos que ainda terão aproximadamente mil promoções antes de nossa morte (talvez mais).

-terminar de ler “grandes esperanças”

- entender, de uma vez por todas, que o feminismo na internet nunca será o feminismo que a simone de beauvoir sonhou e que, a cada vez que paramos de pensar por nós mesmos, o mundo para de andar uns três tantos. então tudo bem achar os textos dos blogs feministas horríveis, detestar a palavra “sororidade” se irritar com quem escreve “uzomi” e não ver sentido em certos textos de muitos caracteres. é apenas o poder do livre pensamento, não implicância sem sentido. a saber: o feminismo é essencial, a militância virtual em panelinhas pode ser desnecessária ou nociva, depende do dia e do assunto abordado.

- deixar a pauta pronta na noite anterior, mesmo sabendo que malhação pode nunca mais trazer nada de bom (mas nos trouxe outras 20 temporadas, material pra metade de uma vida).

- organizar meu quarto com mais afinco.

- ler, de maneira definitiva, os feeds sobre literatura que seguem sendo assinados no meu leitor de feeds (ou cancelar de uma vez, alegando falta de preparo — ou tempo).

- parar de me irritar com as decisões que as pessoas fazem pra si mesmas: tirar selfies, fotos com timer no instagram, sair de chapéu para eventos noturnos, esquecer amigos de longa data, acabar amizades, desmarcar programas de última hora, fingir que não leu sua mensagem no facebook não abrindo a mensagem (a pior estrategema — e mais desonesta — do mundo moderno), amores que eles não conseguem esquecer — ainda que sejam deveras nocivos.

- esquecer que os amigos dos meus amigos existem, e que dos meus amigos queridos gostarem genuinamente de pessoas com as quais não teria relacionamento amigável nem se fôssemos os últimos habitantes no planeta terra, não os faz (necessariamente) pessoas ruins (mas podem fazer deles pessoas que nada tem a ver comigo).

- entender que as pessoas às vezes vão e tomam outros caminhos (caminhos que por vezes incluem ariana grande, e nunca entenderei — mas ainda, caminhos).

- ver mais filmes. incluindo os do bergman que nunca vi, os do woody allen que tive preguiça, os que parecem bons mas desisto porque tem mais de uma hora e meia. não perder tempo com os do xavier dolan, eu já passei dos 30 anos mentais, dos 26 físicos e — mais importante — do tempo de achar que o mundo precisa ser visto com filtros de instagram e trilha sonora hipster irritante.

- ver o filme do sebastião salgado com a minha mãe

- ouvir os vinis que comprei, mas que ainda não botei na agulha.

- deixar de ir em festa chata.

-entender que deveria ter deixado o open bar aos 24, quando ainda achava que um cabelo ruivo bem pintado e cortado poderia salvar a humanidade (e a minha alma) de uma catástrofe maior. (não salvou, e as festas universitárias são sempre terríveis — com vodka colorida, cerveja quente e gente que acha que vestir roupa descolada e dividir as canções entre old e foda te fazem uma pessoa digna de respeito. spoiler: não faz)

-nunca mais voltar a trabalhar com design

- parar — de maneira definitiva — de fazer listas. nunca as cumpro e define personalidade obsessiva (que tenho, assumo, mas trato com luvox — e autoconhecimento).