O diagnóstico

Imagem: internet

Eu já fazia terapia havia dois anos quando minha psicóloga me entregou algumas questões para serem respondidas durante a sessão. Não vou lembrar agora quantas e quais eram as perguntas (boa memória nunca foi o meu forte), mas alguns itens me soaram familiares. Não fazia muito tempo, tinha feito um desses testes disponíveis na internet. O resultado tinha dado ‘leve’, o que me deixou tranquila.

Havia uns dias que eu não conseguia levantar de manhã cedo para trabalhar. Ficava em casa, dormindo ou assistindo Netflix. A psiquiatra aumentou a dose da paroxetina e me deu uns dias de licença-médica. Comprei passagem para o Recife para ficar junto da minha mãe. Já de volta, me sentia melhor, um pouco mais disposta. Viajar sempre me faz bem, mesmo que seja para a cidade vizinha.

O despertador do celular tocou uma vez, e eu o silenciei. Soou pela segunda vez (sempre agendo dois horários para acordar, com intervalo de 10 a 15 minutos entre os dois), e o desliguei. E de novo, não tive forças para sair da cama. Mentalmente, executei cada passo que costumava dar de segunda a sexta e, às vezes, nos fins de semana, quando tinha plantão: calçar o chinelo, ir ao banheiro, fazer xixi, escovar o dente, lavar o rosto, voltar para o quarto, abrir a janela, trocar de roupa, calçar os sapatos, bolsa a tiracolo, sair de casa, pegar o ônibus lotado e passar entre 40 a 50 minutos nele, entrar no prédio da empresa, subir até o 8º andar, dar ‘bom dia’ aos colegas, ligar o computador e sentar na cadeira.

Perto das 7h, mandei uma mensagem para a lista de emails do pessoal do trabalho avisando que não estava me sentindo bem e que não iria trabalhar naquele dia. Mais uma vez. Ficava imaginando o que as pessoas estariam pensando sobre mim, que não ia trabalhar havia cerca de duas semanas.

Meu sentimento era de frustração. Os dias no Recife, descansando e junto das pessoas que amo, não surtiram efeito. Não sabia o que fazer. Liguei para o meu chefe, que tinha diagnóstico de ‘depressão severa’, e ele propôs antecipar as minhas férias. Essa ideia já tinha passado pela minha cabeça, mas não precisei mencioná-la. No dia seguinte, estava de férias.

Retornei para o Recife, onde passei cerca de um mês, talvez um pouco mais que isso. Só na volta, quando já tinha conseguido retomar a rotina na empresa, minha psicóloga disse qual tinha sido o resultado da avaliação: ‘depressão moderada’. Fiquei assustada. Desanimada. Não era depressão leve, como o teste da internet tinha mostrado. Era moderada. Aquela palavra pesou sobre mim.

Um ano e meio após o diagnóstico, continuo tentando conviver com essa doença. Não me curar dela porque me dei conta, há pouquíssimo tempo, que ela é como a diabete: é algo que vai me acompanhar para o resto da vida.

Para quem tem depressão, cada dia é uma batalha: às vezes mais árdua, às vezes bem tranquila. E para não enfrentar essa jornada sozinha, resolvi compartilhar um pouco da minha relação com a depressão. A danada é tão forte que foi capaz de quebrar o meu bloqueio de escrever publicamente sobre o que sinto. Como meu lado ‘Poliana’ sempre diz: tudo na vida tem um lado bom. :)