Título

Aí, louco pensar nas questões de classe sendo tão determinantes até na subjetividade da pessoa. Eu jamais me consideraria escritor, tá ligado? Tipo, a questão do título e tudo. Mano, não leio vários livro, não estudo nada, sou mais do tipo que deixa a caneta largada no cantinho do quarto e namora com ela só de vez em quando. Caneta é tipo mina difícil, daquelas que fazem jogo. Ce olha e parece que ela tá tão disponível mas é só tentar que ela te faz de bobo. Tem e vai ser quando ela quiser, a minha brisa é essa né. Daí de repente bate uma inspiração e eu cato aquela cinturinha até ela cuspir a última gota de palavra. Mas então, o maninho ganhou o mundo antes mesmo das bola cair. Se pá, talvez mesmo antes de existir. Cê já ia ser escritor, irmão. Ce já nasceu advogado, médico, artista plástico. Porque nunca te foi posta a condição de merecimento ou pertencimento. Ce sempre esteve exatamente no seu lugar, naquele admirável mundo mágico do “papai pode pagar”. Tá entendendo? Fico pensando na formação esquerdistinha, na mamãe conversando sobre usar a camisinha. “Filhote, a gente tem que ajudar o próximo, nem todo mundo pode fazer isso.” Então, desde que não suje a roupa, tá ótimo.

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