Até onde sua ambição pode te levar?

O maior sonho de um camponês era possuir muitas terras.

Não podendo conseguir do patrão tudo quanto desejava, procurou outro emprego.

Num ato favorável aos desejos do empregado, o novo patrão ofereceu toda a extensão de terra em volta da qual ele fosse capaz de andar até ao pôr-do-sol.

O camponês concordou imediatamente, e o dono das terras colocou seu boné sobre um galho e lhe disse: “Caminhe até onde quiser, e volte até este boné antes do sol se pôr, e toda a terra que seus pés pisarem será sua”.

O camponês caminhou deslumbrado. Logo adiante viu um pedaço de terra muito boa, ótima para plantar milho. Mais adiante descobriu um pedaço excelente para o cultivo de batatinhas. À frente encontrou outro magnífico lote de terra ótimo para laranjas, e outro mais, e outro ainda, e mais um…

Para abranger tudo aquilo quis correr, e ele correu muito. Cansado, concluiu que já tinha o suficiente, e notou com apreensão que o sol estava bem perto do horizonte e o boné ainda fora de vista.

Acelerou os passos, mas já com os pés feridos e sangrentos, doia a cabeça, os pulmões estavam no limite do esforço, o coração batia, quase como saindo pela boca... Redobrou o sacrifício e finalmente avistou o boné pendurado.

Estava exausto, todos os nervos tensos, a cabeça parecia explodir, e seus olhos mal enxergavam. Os ouvidos latejantes perceberam os aplausos de algumas pessoas, e com esforço sobre-humano estendeu a mão para alcançar o boné. Mas antes de alcançá-lo caiu exausto, desmaiado. O sol se põe e ele estava lá esticado no chão, morto…

Sujeito infeliz!

Tinha tudo para se dar bem na vida. Mas suas ambições foram maiores do que as suas necessidades, e sua euforia foi maior do que o bom senso. Assim, não desfrutou do que tanto sonhou e nem aproveitou o que tinha.

O desejo desmedido, o querer ter as coisas, não tem limites, porque é algo que está na imaginação da pessoa. Todavia, embora os desejos sejam ilimitados, a capacidade de possui-las é limitada, finita. Aí repousa a loucura de querer mais do que se pode.

Por isso, Deus nos adverte: “Não cobicem a casa do próximo, nem sua esposa, seu escravo, sua escrava, seu boi ou jumento. Não ponham o coração em nada que pertence ao próximo”. 
Êxodo 20:17

O que é a cobiça?

Um repórter perguntou ao magnata Nelson Rockefeller: “Quanto dinheiro é necessário para ser feliz?”. O ricaço respondeu com naturalidade: “Um pouco mais”.

É isso. Cobiçar significa colocar nossa devoção em coisas — dinheiro, sucesso, fama — e transformá-las no centro de nossa existência, crendo que são o fundamento sobre o qual construímos a felicidade. Para o cobiçoso, as coisas se tornam mais importantes do que as pessoas e suas necessidades.

O cobiçoso nunca está satisfeito; para ele, o muito é ainda pouco.
Enfim: A cobiça é o amor fora de proporção, fora de equilíbrio e fora de lugar.

Mas atenção, não nos enganemos: a cobiça não é, essencialmente, uma questão de pobreza e riqueza.

Cobiçar é um vício e pecado tanto do rico quanto do pobre, de quem mora numa casa simples ou num condomínio de luxo.

Sabe por quê? Porque cobiçar é a insatisfação doentia e constante com o que se tem, seja muito ou seja pouco. É o desejo desmedido de avançar mais, querer mais, procurar mais, almejar mais, planejar mais, a ponto de sacrificar tudo e todos para ter o que se quer.

A pessoa tem uma bicicleta, mas obcecadamente quer um carro. E quando tem um carro, obcecadamente quer uma mansão. E quando possui a mansão, obcecadamente quer um jatinho e um helicóptero. Na cobiça o problema não é ter muito ou ter pouco; o problema é a constante insatisfação com o que se tem, o que provoca um senso de constante infelicidade.

Nós cobiçamos quando reclamamos constantemente das coisas que não temos. Cobiçamos quando menosprezamos ingratamente as coisas que temos. Cobiçamos quando não temos prazer no sucesso do nosso próximo, e quando desejamos algo de alguém.

O conselho divino

O apóstolo Paulo nos aconselha: “Não se deixem dominar pelo amor ao dinheiro e fiquem satisfeitos com o que vocês têm, pois Deus disse: “Eu nunca os deixarei e jamais os abandonarei”. Hebreus 13:5. Esse verso de Hebreus nos leva a afirmar, sem medo de errar, que a cobiça e o descontentamento são problemas teológicos: cobiçar é duvidar da capacidade de Deus de nos sustentar; cobiçar é duvidar de que Deus, ao Seu tempo e ao Seu modo, nos dará o que precisamos, mas nem sempre nos dará o que desejamos.

Sabe qual é o melhor remédio contra a cobiça? Gratidão. 
É isso mesmo. Uma pessoa grata tende a desfrutar do que já conquistou, fica feliz com o que já recebeu. Uma pessoa grata entende que o que realmente importa não é o quanto se tem, mas o que se faz com o que se tem, e qual o estado de espírito com o que se tem.

Tem você sido grato e grata a Deus pelas coisas que Ele tem lhe dado?
Tem você sido grato a Deus por seu salário ou pelo lucro de seus negócios? 
Tem você sido grato aos seus pais pelos presentes recebidos, pela mesada, e pelo dinheiro que paga sua mensalidade da Escola ou da Faculdade?

Flávio Conca
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