Halloween é um dia inofensivo para nós?

As crianças não praticam magia negra, ocultismo, bruxaria nem ocultuam corpos neste dia. Então, onde está o problema em um cristão brincar no Dia das Bruxas?

Atreva-se a questionar uma criança entre seus 4 a 7 anos de idade sobre que é o Halloween. Vá além, talvez deva perguntar aos pais destas crianças o que realmente se comemora neste dia.

Da minoria você terá uma resposta pouco conclusiva, sobre ser um dia de monstros, vampiros e múmias. Dos que possuem um conhecimento geral mais atualizado, ouvirá que é o dia de finados na cultura americana.

A presença norte-americana no Brasil (como no mundo) é naturalmente forte, mas nem sempre ela é usada para iluminar traços e mitos tipicamente nacionais.

A festa de Halloween, ou Dia das Bruxas, nasceu na Inglaterra e em 1840 ela chegou aos Estados Unidos.

É sempre peculiar de toda cultura de maneira geral se misturar e se apropriar de influências de outras culturas, uma espécie de terceirização de um setor criativo para ampliar e transformar sua própria cultura.

Penso e sinto pena dos desfalques sobre o folclore brasileiro, do ofuscamento que Saci Pererê e companhia tiveram com esta “pagação-de-pau” gringa, relaciono como coisa de baixa autoestima cultural.
Simplesmente os americanos possuem uma força neste quesito e exercem influência sobre muitas outras culturas. Rola uma espécie de colonização voluntária de ideologias.

Mas até onde é benéfica a influência e o reflexo de outros povos e culturas sobre nós? Não podemos saber qual é o ponto de equilíbrio disso tudo.

Quando a questão é religião, lembro que não existe religião brasileira, do cristianismo ao budismo, todas são religiões importadas.

Toda as religiões predominantes de hoje em dia foram trazidas para o Brasil. Seja por jesuítas, por protestantes reformistas ou por monges, todas tiveram suas influências, buscavam a conversão e a difusão de suas idéias.

Índios brasileiros foram catequisados pelos jesuítas e tiveram seus deuses e cultos proibidos.

Manter o culto ou ato de relembrar seus antepassados em cerimônias religiosas era inadmissível, costume que tinha o selo do paganismo e a condenação por suas crenças.

Ok, o objetivo não é a crítica aos índios e seus costumes e deuses. Herdamos deles o folclore popular, Curupira, Saci, Caipora e Boi Tatá.

Por qual motivo, então, o Halloween é aceito por muitos cristãos apenas como uma festividade gringa?

Assim como o povo antigo lá do oriente, como descrito no Bíblia e índios foram reprimidos, por qual razão o Halloween deve ser separado do que é lícito para um cristão?

Meados dos anos 500, na Irlanda Céltica, o verão oficialmente se concluía no dia 31 de outubro, era um feriado, o dia de Samhain. Era o dia que marcava o ano novo Céltico e esperado por alguns bruxos. Estes feiticeiros acreditam que “Hallowinas” eram guardiãs femininas do saber oculto das terras do norte (Escandinávia).

Chegava então o dia de culto para as Hallowinas. Neste dia o povo comemorava o início do ano-novo e celebra também o final da terceira e última colheita do ano, junto ao início do armazenamento de provisões para o inverno, o início do período de retorno dos rebanhos do pasto e a renovação de suas leis.

Era uma festa com vários nomes: Samhain (fim de verão), Samhein, La Samon, ou ainda, Festa do Sol. Mas o que ficou mesmo foi o escocês Hallowe’en.

Havia na crença daquele povo a lenda celta que falava que no ano novo, os espíritos de todos que morreram ao longo daquele ano que se encerrou voltariam à procura de corpos vivos para possuir estes corpos e usar pelo próximo ano que estava começando.

Os celtas acreditavam ser uma chance de vida após a morte e em todas as leis de espaço e tempo, o que permitia que o mundo dos espíritos se misturassem com o dos vivos.

Como os vivos não queriam ser possuídos, na noite do dia 31 de outubro, apagavam as tochas e fogueiras de suas casas, para que elas se tornassem frias e desagradáveis. Colocavam fantasias e ruidosamente desfilavam em torno do bairro, sendo tão destrutivos quanto possível, a fim de assustar os que procuravam corpos para possuir assim, espantar os espíritos que poderiam encontrar vagueando por lá.

Anos depois, os Romanos adotaram estas práticas célticas, ficou conhecido e também foi proibido pela igreja romana. Mas o Halloween sobreviveu e foi levado para os Estados Unidos em 1840, por imigrantes irlandeses e passou a ser conhecido como o “Dia das Bruxas”.

É possível que os Cristãos comemorem o Dia das Bruxas sem comprometer a sua fé?

O Dia das Bruxas, independente do quão comercializado seja, tem uma origem quase que totalmente pagã. Por mais inocente que pareça a alguns, é algo a ser levado muito a sério. Uns cristãos dizem não ser um problema, apenas uma brincadeira inofensiva, outros escolhem não fazer nada, preferindo trancar-se em a casa com as luzes apagadas.

Com a nossa liberdade temos como decidir como agir. A Escritura não menciona o Halloween, mas dá alguns princípios para que possamos tomar uma decisão. A feitiçaria sempre foi condenável (Êxodo 22:18, Levítico 19:31, 20:6, 27).

No Novo Testamento tudo sobre o ocultismo é bem claro (Atos 8:9–24), a história de Simão, mostra que o ocultismo e cristianismo não se misturam. A narrativa de Elimas, o feiticeiro (Atos 13:6–11), revela que a bruxaria é completamente oposta ao Cristianismo.

Assim, deve um Cristão comemorar o Halloween já que seu berço é a feitiçaria?

Comemorar não, o dia dos morto não faz sentido para um cristão já que a Bíblia diz que os mortos estão em sua sepultura, que a morte é um sono ininterrupto até a ressurreição na volta de Jesus ou após os mil anos.

Existem coisas sobre o Halloween que são anti-Cristãs e que devem ser evitadas. Se os Cristãos vão presenciar o Halloween em seu bairro, em seu trabalho, então sua atitude, roupa e, mais importante, seu comportamento, ainda devem refletir uma vida redimida (Filipenses 1:27).

Há muitos Cristãos que no Halloween, distribuem folhetos e compartilham o Evangelho.

A decisão final é nossa. Entretanto, assim como com todas as outras coisas, devemos seguir os princípios de Romanos 14. Não podemos permitir que nossas próprias convicções sobre um feriado causem divisão no corpo de Cristo, nem podemos usar nossa liberdade para levar os outros a tropeçar em sua fé. Devemos fazer todas as coisas como ao Senhor.

Se for ler mais, pesquisar e estudar sobre a origem do Halloween, com bom discernimento, verá que esta não é uma festa para nós que cremos de verdade em um relacionamento real com Deus. É simplesmente uma outra comemoração pagã e que herda muito do que não deveríamos participar.

Então, nós cristãos devemos fazer o quê? Simplesmente ignorar tudo? Fechar as portas ao ver crianças fantasiadas de bruxas e caveiras pedindo doces ou travessuras correndo pela sua rua?

O que o verdadeiro cristão já sabe, talvez a maioria dos irmãos em formação espiritual ainda não discirna, é que vivemos no mundo sabendo que este mundo não é nosso lar.

Não podemos fugir e nos trancar aguardando enclausurados a ascensão até a santidade. Deus nos fez como seres relacionais, nada melhor que o exemplo de Jesus que nos prestou tremendos exemplos de relacionamento.

Cristianismo é relacionamento, não existe cristão sozinho, não há cristianismo na solidão.

Precisamos um do outro para exercer o que aprendemos e passar a frente tudo o que o Cristo nos ensinou.

Talvez, então, no dia de hoje, devamos abrir nossas portas para estas crianças e dar a elas algo saudável, menos doces, para irmos de acordo com a literatura cristã sobre uma vida saudável.

Então, como estar no mundo e não ser do mundo no dia de hoje sem repelir aos outros?

Lá vão 5 dicas:

1) Siga a Bíblia

Ensine suas crianças que a Bíblia é a palavra de Deus e que a Bíblia não apoia orações nem honras aos mortos. As raizes do Halloween são de crenças pagãs, cultura celta e da família das “bruxarias” que ensinavam que deveriam honrar aos mortos. Lembre-se que é claro que isso não é uma verdade, e que (Como exemplo em Isaias 8:19, 20) não devemos, como cristãos honestos “celebrar” o Halloween.

2) Compartilhe sua fé sempre que possível

Jesus encorajava seus discípulos para estar “no mundo” mas não “ser do mundo” (João 17:15, 16).

Isto não é fácil! Muitos cristãos se sentem tímidos ao compartilhar sua fé com seus vizinhos e sei que nem sempre isso é fácil. Mas talvez, se ao invés de não abrir a porta para aquelas crianças, que inocentemente brincam, você recebe-las como Jesus as receberia. Talvez com um panfleto ou um convite para conhecer sua igreja, estaria contribuindo

3) Estabeleça limites claros

Decida-se, baseado na escritura, o que escolher fazer no Halloween. Ore e peça ao Espírito Santo uma direção sábia. Algumas atividades nesta festividade obviamente um cristão não deve participar, repense e veja que não há relação com esta festividade e aos princípios espirituais.

4) Alternativas inteligentes

Quando nossas crianças são pequenas, nossas igrejas tentam guiá-las de melhor forma, assim como nossas famílias. Crie na igreja programas de aprendizado para as crianças até mesmo fora da guarda do sábado e ensine com amor as suas crianças sobre os princípios reais de Deus e sobre como o mundo possui distrações que desfocam nossa fé.

5) Abstenha-se do espírito crítico.

Talvez os seus companheiros cristãos estão trabalhando sobre como lidar com o Dia das Bruxas e talvez não tenham estas respostas tão claras ou condenado como você é sobre o que fazer, especialmente aqueles com crianças. Abordá-los com um espírito com raiva ou crítica não vai ajudá-los.

Em vez de condenar os pais, por que não convidar algumas famílias para ir até sua casa para um breve estudo, aprender mais sobre a Bíblia, tornando um momento de adoração e comunhão com a ênfase que, como cristãos, a única coisa que “hallow”(sacro, santificado em inglês) é o nome de nosso Pai Celestial, a quem Jesus nos ensinou quando oramos a dizer: “Santificado seja o teu nome” (Mateus 6: 9 ).

No entanto, você pode optar por enfrentar isto se trancando em você, silenciando, ou se recolhendo em casa, mas não terá certeza de que, no mínimo, você gasta tempo sem compartilhar sua fé.

Halloween não é um dia que cristãos devam celebrar. No entanto, alguns cristãos de bom coração acreditam que ele pode ser uma oportunidade para ensinar aos outros sobre o que realmente acontece quando as pessoas morrem.

Participe no desenvolvimento da sua comunidade, leve a verdade aos outros e ajude a irem de encontro ao relacionamento real com Deus. Este é o exercício de todo cristão, é também nosso dever. Não o de criticar no que os outros acreditam, mas sim em apresentar a verdade a eles.

É possível, com a ajuda de Deus, transformar pessoas e vidas!

Por: Flávio Conca