O bolo do mal

Os egípcios foram por milênios grandes vanguardistas da tecnologia na sociedade antiga. Entre pirâmides e múmias, eles criaram muitas coisas que estão presentes até hoje, coisas usuais em nosso dia-a-dia.

Exemplo claro disso é o delineador. Inventores da primeira expressão da maquiagem. A própria Cleópatra poderia estampar uma sequência de outdoors no deserto com olhos delineados, a maquiagem servia para ostentar e muito perante a hi-society.

Egípcios deveriam ter bastante tempo, problemas e criatividade, pois geralmente estes são os ingredientes dos grandes inventores.

Eles criaram o calendário, a bala de menta, a pasta de dente, a primeira espécie de boliche com bolas de granito. Criaram as lâminas de barbear que da mesma inventaram a moda de tirar todos os cabelos da cabeça no melhor estilo do - até hoje conhecido - rapa-careca, logo a profissão de barbeiro também foi invenção destes fofuxos. Eram também grandes nomes do agro-business do oriente, uma potência. Eles tinham sacadas sensacionais para resolver muitos problemas e para criar utilidade para muitas coisas inúteis.

O empreendedorismo também fazia parte do cotidiano, eram grandes traders, importavam e exportavam como ninguém. O reduto dos egípcios e gregos criava mais tendência que a FashionWeek.

Como em todo lugar, nestas civilizações bem estruturadas e evoluídas, que já fervilhavam populacionalmente há aproximadamente 5000 anos atrás, ainda sobrava espaço para o mercado religioso. Nada comparado ao neo-pentecostalismo atual, mas eles seguiam e possuíam seres supremos e tinham na religião um portfólio vasto de investidas, tudo era muito mais místicos do que religioso. Mas não deixava de ser religião.

E como para tudo o que é místico há um patuá, costumes que diferem dos não-místicos, há celebrações e momentos especiais para caracterizar as conexões com o desconhecido e supremo. Eles o hábito de festejar seus deuses, costumes bem estranhos se compararmos com costumes da sociedade moderna. Comemoravam também periodicamente em alguns dias específicos a existência de suas deidades locais, mais propriamente comemoravam o dia do surgimento ou descobrimento de seus deuses. Era um dia reservado para ofertas, mimos, comemorar presentado paralelamente entre faraós e multi-deuses. Distribuíam suas devoções e comemoravam anualmente em festinhas privadas, uns comes-e-bebes oferecidos aos deuses onde o povo não participava.

Entre várias destas modinhas egípcias, um hábito curioso começou então, ser importado e introduzido para o meio dos reles mortais: o da comemoração do próprio dia de nascimento, como o aniversário de nascimento de um mero mortal.

Assim como era regra ofertar algo para as suas deidades, egípcios e romanos introduziram os presentes no cotidiano, uma espécie de adaptação de roteiro de suas crenças místicas que antes era o de comemorar os dias dos deuses mas adaptados para os aniversariantes humanos.

As ofertas também não eram feitas sem um motivo. Os presentes tinham um objetivo original e comum: afastar os maus espíritos.

Não soava legal nem ortodoxo e nos primeiros séculos da era cristã o costume foi abolido pela igreja, pois era considerado como um ritual pagão, uma heresia.

Claro, ofertar coisas para as pessoas com o objetivo de distanciar maus espíritos não coaduna com os princípios cristãos.

Pouco tempo suportou esta imposição da igreja e fez da proibição algo incoerente, ficou desargumentativa pois os próprios cristãos romanos propunham a celebração da data natalícia do menino Jesus, assim surgia a santa comemoração do Natal.

Se o aniversário de Jesus poderia ser comemorado, por que não poderíamos comemorar também nosso próprio aniversário?

Este auto questionamento era até moderninho, mas foi aceito pela sociedade da época.

Aí, virou top trending!

Ressurgiu ali o hábito de festejar aniversários e pouco a pouco foram surgindo peças alegóricas. O bolo e as velas foram herdados dos gregos que faziam festas à deusa Artemis e colocavam velas sobre uma torta.

Inocentemente, ao passar dos séculos a cultura do bolo e vela foi sendo passada de geração em geração e a raiz do culto foi sendo esquecida ou, simplesmente mascarada.

O "Parabéns a Você" original só foi surgir em nossa era moderna, em 1875. Já a versão brasileira em 1942.

Logo veio o brigadeiro, cortar o bolo e dar o primeiro pedaço a alguém especial, cortar a primeira fatia de baixo para cima, fazer um pedido ao apagar as velas, língua de sogra, chapéu cônico, bexigas e todo o traço antropológico foi sobreposto.

Agora, se um indivíduo cristão soubesse que a cada vez que assopra suas velinhas em cima de um delicioso bolo prestígio estaria repetindo o mesmo ritual de oferta aos deuses do Egito antigo, continuaria a comemorar seus anos acumulados em vida?

Não há um único texto bíblico que desaprove tal ato!

Se não há proibição, não possuem embasamento textual para afirmar que acender uma velinha cravada sobre um inocente bolo seria um pecado! Ou seria?

Comemorar ocasiões festivas não pode ser considerado coisa de pagão só por descobrirmis que certas comemorações eram de origens pagãs. Senão, como cristãos, deveríamos abolir tudo que se origina do paganismo. Talvez não devêssemos usar o Facebook, já que seu idealizador e CEO é um ateu-pagão?

Certamente o seu dispositivo móvel também não seja criação de um cristão, talvez a internet, a lâmpada da sua casa e a cama onde repousa seu corpo, talvez quase todos os itens dentro da sua casa tenham sidos feitos por pagões ou ateus.

E comemorar algo entre pagãos, seria de mais para um cristão? O que há então, contra desejar viver a alegria de uma comemoração sadia?

Não há mal algum, ninguém cultua ou contraria Deus apenas em uma festa de aniversário.

O próprio Jesus esteve presente em festas, logo no inicio do seu ministério. Será que lá não havia nenhum pagão?

Nem vou entrar neste assunto, já que o nazareno andava entre os piores tipinhos, escolhia estar entre os piores para demonstrar o que era na verdade o amor cristão…

A única diferença é a forma de comemoração.

Se somos individual e unicamente importantes para Deus e ele é infinito e sabe de tudo, o dia do nosso nascimento é também muito importante para Deus por ser uma data relevante ao dia em que mais uma criatura foi trazida a vida.

Como vemos, o problema não está no fato praticarmos uma comemoração herdada por um povo pagão, mas sim no princípio que está por detrás.

Como consideravam os primeiros cristãos e os judeus dos tempos bíblicos as celebrações de aniversários natalícios?

A noção de uma festa de aniversário natalício era alheia às idéias dos cristãos deste período, em geral.

Os hebreus posteriores consideravam a celebração de aniversários natalícios como parte da adoração idólatra, conceito que era abundantemente confirmado pelo que viam nas observações comuns associadas com tais dias.

Qual é a origem dos costumes populares associados com as celebrações de aniversários natalícios?

As velas de aniversário sobre um bolo, na crença popular, são dotadas de magia especial para atender aos mais singelos pedidos, velas acesas e fogos sacrificiais têm um significado místico especial desde que o homem começou a erigir altares para seus deuses.

Ellen White apresenta certa preocupação por festas que alimentam o egoísmo, a exaltação própria e o mundanismo. Ela vê a questão de aniversários como uma oportunidade para cultivar a gratidão e o louvor a Deus como criador e mantenedor da vida. Devemos propor que a data do aniversário seja uma das ocasiões para presentear a Deus com alguma oferta especial. “Os pais não têm ensinado aos filhos os preceitos da lei como Deus lhes ordenou. Eles os têm educado em hábitos de egoísmo. Têm-nos ensinado a considerar seus aniversários e festas como ocasiões em que esperam receber presentes e seguir os hábitos e costumes do mundo. Tais oportunidades, que deveriam servir para incrementar o conhecimento de Deus e despertar a gratidão do coração por Sua misericórdia e amor em preservar-lhes a vida por mais um ano, são transformadas em ocasiões para agradar-se a si mesmos, para adulação e glorificação dos filhos. Foram eles guardados pelo poder de Deus em cada momento de sua vida, e contudo os pais não ensinam seus filhos a nisto pensar e exprimir gratidão por Sua misericórdia para com eles. Se crianças e jovens tivessem sido convenientemente instruídos nesta fase do mundo, que honra, que louvor e graças subiriam de seus lábios a Deus! Que soma de pequenas ofertas seria levada pelas mãos desses pequeninos ao tesouro do Senhor como sinal de gratidão! Deus seria lembrado em vez de esquecido”.

Helen G. White — Review and Herald, 13 de novembro de 1894 e Conselhos sobre a Escola Sabatina, p. 142.

Ralph e Adelin Linton — The Lore of Birthdays .

http://truthontheweb.org/bdays.htm

https://en.m.wikipedia.org/wiki/Birthday

http://m.huffpost.com/us/entry/4227366.html

http://www.triumphpro.com/birthdays-origin.htm

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