Palavras de ansiedade

Coração pesado.

Peito sufocado.

Dedos que tremem.

- Por quê?

Sem resposta.

Mas o medo cresce.

A dor cresce.

A lágrima desce. Sem parar – e por longos minutos parece mesmo que nunca vai parar.

- Por quê? – grita.

A mente responde com um longo e agonizante silêncio.

Silêncio que grita.

Silêncio cheio de palavras não ditas.

Palavras mal compreendidas.

Palavras soltas no vácuo que nunca foram ouvidas.

A lágrima ainda está descendo.

- Por favor, por quê? – mudo.

O único som que ecoa é o som da água do chuveiro caindo para abafar as lágrimas que também estão caindo.

Sem parar.

- POR QUÊ? – implora.

Então a mente enche de porquês — de causas.

Causas misturadas.

Causas adiadas – talvez depois.

Causas que vêm de fora.

Causas que vêm de dentro. E só existem dentro.

A boca abre.

Nada.

Não tem ninguém para ouvir.

E será que vão querer ouvir?


Guarda a bagunça.

Desliga o chuveiro.

A lágrima ainda não parou.

E vai parar?

Sem resposta.

Tem que parar.

Bota a roupa.

Quente.

Chá.

Quente.

Cama.

Quente.

Dentro? Frio.

A lágrima? Caindo.

Vai parar.

Textura da parede.

Cores do quarto.

Sabor do chá.

Calor da roupa, do lençol, da cama.

Inspira.

Expira.

Senta.

Papel. Caneta. Palavras.

Palavras ansiosas.

A tinta escura da caneta no contraste do branco do papel.

Na boca não tem som.

Mas na caneta tem palavras.

E nessa poesia a palavra tem som. E voz. E dor.

E esperança – porque as lágrimas pararam.

Finalmente.

tereza (05/04/2017)