A crise política e uma aula de história sobre a necessidade de cuidar do lar

Eu tava aqui vendo Brasília pegar fogo, as pessoas reagindo a isso e lembrando de uma aula de história ótima que tive uns mil anos atrás (salve prof Jamal do falecido Henfil). Uma vez ele trouxe uma metáfora pra explicar o início de uma crise política no país — sim, lá pra 2009 o cara já tava falando do que tá acontecendo hoje. Ele basicamente explicou que: a geração que faz a política de hoje é uma geração mimada.

Não falando dos cara que ocupam Brasília com cargos políticos mas da gente aqui, entre 16 e 35 anos que faz boa parte da galera que elege os cara lá. Nós somos frutos de uma outra geração, que trabalhou mei duro pra se livrar de ditaduras e guerras e que ao mesmo tempo incorporou o desejo de liberdade dos hippão anos 70 que proclamavam um paz e amor e queriam transmitir pra próxima geração tudo aquilo que não podia ter.

Juntando esses elementos fomos criados nós, que agarramos tudo o que essa geração nos passou sobre ser quem queremos, irmos além, desbravarmos o mundo afora sem limites. Tudo isso assim, muito externo, muito “faça o que tu queres pq além de ser da lei o que vc quer vc pode, parça, ce pode tudo agora que nós já demos um duro”.

Nesse querer tudo esquecemos o que já temos por estarmos sempre um passo a frente dos nossos pés — alô geração ansiosa né, altos rivotril e BuzzFeed de como controlar as crises de pânico.

Aprendemos a desejar desbravar o mundo mas não aprendemos por onde começar.

Não é à toa que boa parte da nossa geração caiu no mundo literalmente. Não é à toa que boa parte deseja deixar pra trás toda a merda que enfrentou pra vencer na vida sem dar retorno algum ao local de onde veio. Não é a toa que temos mais gente fazendo trabalho voluntário pela África toda do que na comunidade onde nasceu e viveu. A gente bebe da fonte até ela secar sem se dar ao trabalho de fazer a manutenção pra que ela siga fluindo.

Esse prof maravilhoso seguiu a metáfora dizendo que fica fácil entender como funciona o caminho pra crise política quando olhamos pra esse serzinho que foge, que se abstém, que “vou embora pq tá tudo uma bagunça”. Esse serzinho não aprendeu a arrumar a própria casa pq cresceu empenhado em desejar e não em aprender o básico sobre o que lhe proporciona esse poder de querer.

Quando ele vê a casa bagunçada, ele paralisa. Ele vê os ratos invadirem, tamanha sujeira que tá, mas ele não pega numa vassoura .
Bota culpa na casa, se muda dela e parte pra bagunçar outra. 
 Espera sempre que alguém limpe, que alguém arrume, que a ordem surja da grande mãe que vem do além. Daí quando ele vê a porra toda pegando fogo como agora, obviamente não sabe o que fazer, pq a vassoura pra ele provavelmente nunca foi uma obrigação.

Ele. 
O serzinho. 
Você. Eu. Nós. 
Tudo mimado.

E a vassoura lá no cantin…

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