Corporeografias

I

dançar com fogo, saborear cheiros, deslizar nos risos,

criar um idioma entre lábios úmidos, flexionar uma língua entre línguas,

gemidos dissonantes são o sinal de peles ritmadas num colchão sem lençol,

II

coreografias suadas, corporeografias coloridas. entre dentes brancos, rios borboleteiam,

seios encontram seios, pernas bailam no lago de outras pernas,

usufruem das dobras doces e salgadas dos seus corpos linhas de imensidão lambidas,

III

instalados no sorriso da noite, corpos femininos agitam-­se como os pequenos pés de uma criança correndo sob a chuva,

corpos femininos não são como marés. marés é que são como corpos femininos.

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