
Cartas de Susana #1
Susana tinha 17 anos e toda aquela vontade de conhecer o mundo, o que secretamente era um desejo de colocar em confronto o seu próprio mundo vivido até então.
Na sua playlist favorita, algumas canções de Indie/Pop cantarolam amores impossíveis, angústias de autores que não viveram metade do que ela viveu e eu me pego pensando no tipo de canções que renderiam se eles tivessem essa metade de experiência que ela teve em sua vida.
Debaixo de sorrisos se escondem velhos lamentos, muitos arrependimentos e soluços abafados de choros contidos, de alguém que precisa ser feliz e que quer fugir a todo custo. Lágrimas de alguém que não conhece a alegria de confrontar monstros internos e sair vitoriosa disso tudo.
Ela balbucia palavras e entre seus lábios grossos percebe-se uma dor contida e por seus olhos escapam fagulhas ígneas de uma força colossal, capaz de enfrentar os maiores temores que alguém poderia ter.
Me intriga como ela não se dá conta que o que ela quer buscar ao redor do mundo ela já tem dentro de si. Em poucas horas de conversa Susana já me convenceu disso, mesmo que de sua boca saia exatamente o contrário disso.
Eu lhe ofereço colo, lhe ofereço abrigo, lhe ofereço uma amizade sincera, sem esperar nada em troca, dirijo quilômetros de madrugada e dirigiria muito mais, porque ela merece e seus olhos exigem um cuidado e um afago que eu não sei se posso dar, mas que eu estou disponível para tentar.
Ela queria um amigo, eu não queria nada. Eu encontrei um sentido para velhas palavras enferrujadas que há muito não saíam de minha boca. Ela me acha fantástico e mal sabe que tudo que lhe falei foi ela mesma quem provocou.
