
[o que estamos lendo]
Quando comecei a ler “O filho de mil homens” e a conhecer os personagens, entendi que era um livro sobre desajustes, desesperanças, desencontros. Portanto, sobre a dor.
Aí, quando as histórias começaram a se cruzar, não era a dor que fazia a costura entre elas. Papéis e expectativas sociais que arrastavam as personagens foram se desfazendo e desvelando que a liga. estava no amor. Em suas muitas formas e manifestações (muito além do amor romântico). Com todos os seus desajustes e infinitos recomeços.
Talvez porque eu esteja fixada em textos sobre o mar, pra mim ele é, nesse livro, o cenário principal. Diante dele, muitas angústias se acalmam. É olhando ou conversando com a imensidão desconhecida que é o mar, que vários dilemas dos personagens (e também dos leitores) ficam pequenos e, de repente, tão simples de ser resolver.
E talvez porque eu esteja ouvindo o álbum novo do Emicida 50x ao dia, quando terminei o livro lembrei da música Principia, quando a letra fala assim que “amor é decisão, atitude, muito mais que sentimento”. O livro, ao final, é uma sequência tocante de decisões, nada óbvias ou socialmente esperadas, mas que criam pontes que salvam vidas. Já estou com saudades da Isaura, do Crisóstomo, da Matilde, do Camilo. Lindo demais.
Mari
