Batman e a origem do Supercliente

Batman se prepara para enfrentar o maior desafio na história das Indústrias Wayne: um novo tipo de consumidor com superpoderes.

Batman e Superman são propriedade da Warner Bros. Pictures

A sede das Indústrias Wayne era uma enorme torre de vidro, aço e concreto, não muito diferente de outros escritórios da maioria das grandes corporações globais. No entanto, o escritório de seu CEO, Bruce Wayne, era bastante incomum: uma caverna localizada no 10° subsolo da Torre Wayne. Para acessá-la era preciso o nível máximo de permissão. Apenas um punhado de pessoas já havia visitado o lugar. Alfred, o secretário-executivo do Sr. Wayne, era uma delas.

– Patrão Bruce, sugiro que você reconsidere a sua decisão. O confronto direto não é a única opção disponível.

– Alfred, não podemos ficar parados. Precisamos fazer algo! – esbravejou Bruce Wayne.

Nas últimas semanas, as discussões entre Bruce e Alfred estavam cada vez mais quentes. Bruce costumava escutar as recomendações de Alfred desde que era um garoto, quando herdou o conglomerado Wayne após a morte trágica de seus pais. Mas desta vez, ele parecia irredutível.

– Alfred – continuou Bruce –, estamos enfrentando algo que nunca imaginamos. Um indivíduo com o poder de alterar para sempre as regras do jogo. Um novo tipo de cliente, com a capacidade de destruir empresas e varrer mercados com um simples clique. Se não reagirmos rápido, seremos apagados do mercado!

– Sei disso, patrão. Não estou dizendo para cruzarmos os braços. Precisamos reagir, mas não podemos enfrentá-lo.

– Como assim, Alfred? O que você está querendo dizer?

– Se não podemos vencê-lo, precisamos trabalhar com o Supercliente.

– Você quer dizer que precisamos trabalhar com um... um... alienígena?!

– Isso mesmo, patrão.

– Alfred, deixe eu resumir o que estamos enfrentando. Para começar, esse novo tipo de consumidor tem uma Visão de Raio-X. Ele consegue acessar praticamente qualquer informação sobre nosso produto, compará-lo com nossos concorrentes, e ainda descobrir o que nossos outros clientes sabem e pensam sobre nós.

É um pássaro? É um avião? Não, é o Supercliente!

“Além disso, não basta conhecer nossos segredos, ele também consegue agir com uma velocidade impensável. Com seu Poder de Voo, ele pode alcançar qualquer lugar, quase instantaneamente, comprando produtos e mudando de fornecedor na velocidade do som.”

“Como se isso não fosse disruptivo o bastante, a Super Força deste novo consumidor é capaz de criar novos mercados e destruir empresas com um simples clique em seu celular.”

– Você entendeu, Alfred. Não temos como vencer essa luta. É preciso impedi-lo!

– E como você pretende fazer isso, patrão Bruce?

– Criando uma armadura impenetrável! Enterrando nossas informações secretas ainda mais fundo! Criando mais barreiras para que outras empresas não copiem nossos produtos!

– Patrão Bruce... Ouça o que está dizendo. Isso não tem como dar certo. Veja nossa própria história. Só pudemos nos tornar essa corporação gigantesca por meio da inovação. Quando lançamos nossa linha de produtos Bat-X e Robin, décadas atrás, nenhum concorrente estava fazendo nada parecido. Nós escutamos o que os clientes queriam e entregamos algo que nem eles imaginavam. Por isso, esses produtos são líderes de mercado há mais de 70 anos. E pudemos derrotar concorrentes como a Enigma Technologies, a Corporação Pinguim e a Coringa Empreendimentos.

– Isso é passado, Alfred. Agora enfrentamos um novo tipo de concorrente. A LexCorp aumentou sua participação de mercado em 10% após o lançamento de sua linha de produtos Crypto. E sabe porque ela é um sucesso? Porque ela anula os poderes do Supercliente!

– Patrão Bruce, essa vantagem da LexCorp é temporária. É só uma questão de tempo para que o Supercliente consiga superar essa fraqueza. Se quisermos estar no lado vencedor, precisamos nos aliar ao Supercliente. Ao invés de esconder informações, podemos compartilhar o que sabemos para que ele fique ainda mais forte. Ao invés de engessar nossos produtos, precisamos abrir seu código-fonte para que outros grupos possam fazer parte de nosso ecossistema. Ao invés de reduzir as opções, devemos aumentar as possibilidades de personalização para que o Supercliente use os produtos da forma que quiser.

– Alfred, respeito sua opinião, mas estou decidido. Vou enfrentar o Supercliente num combate corpo-a-corpo!

Neste instante, ouve-se um grande estrondo e uma nuvem de poeira cobre toda a caverna. "Fomos atingidos por um míssil" é o primeiro pensamento que passa pela cabeça de Bruce Wayne. Seu ouvido não para de apitar e ele está tonto. Seu pulmão arde com as cinzas levantadas e ele não consegue parar de tossir. Conforme a poeira começa a baixar, ele vê o vulto de um homem. Então ele se dá conta. Não é um homem. É o Supercliente, bem em sua frente, o encarando com olhos vermelhos.

– Supercliente! – exclamou Alfred – Como você entrou aqui?

– Como sabia da existência desse lugar? – resmungou Bruce tossindo a poeira para fora de seus pulmões.

– Há tempos estou escutando seus planos, Bruce. – respondeu o Supercliente. – E foi simples descobrir essa caverna escondida embaixo da Torre Wayne. Mas não queria fazer nada até que você tomasse sua decisão.

– Então você veio nos destruir. – deduziu Bruce – Pois bem, acabe logo com isso. Sei quando estou derrotado.

– Você entendeu tudo errado, Bruce. Eu preciso da sua ajuda.

– Minha ajuda...? – Bruce Wayne estava completamente perdido. – Por quê?

– A LexCorp é uma ameaça real. Tanto para você quanto para mim. Sua estratégia de limitar o acesso a informação pode atrasar o desenvolvimento do mercado por décadas. Além disso, ele pretende usar a informação coletada para me manipular. Essa iniciativa pode realmente anular meus poderes por um tempo indeterminado. Preciso da sua ajuda.

Bruce Wayne pensou por um momento. Estava decidido a enfrentar o Supercliente, mas sua verdadeira ameaça não era ele. Era a LexCorp, seu concorrente. Atender o desejo do cliente era, sempre, a melhor escolha. A decisão estava tomada.

– Supercliente, você está certo. Conte comigo. De hoje em diante, seremos grandes aliados.

Estendeu sua mão e, enquanto selava a parceria com seu novo superamigo, pensou "como se eu tivesse alguma opção".

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