De Volta para o Presente

Presa no marketing de 2005, Marta precisava encontrar o caminho de volta ao seu tempo ou correr o risco de ver sua relevância na empresa desaparecer

– Marta, precisamos disparar o email de lançamento de nosso novo produto ainda hoje!

– Claro, Dr. Moreno! Poderia apenas me ajudar a localizar na nossa base as personas interessadas nesta solução e os leads na base no funil de vendas?

– Dona Marta, que língua você está falando!? Esse é o lançamento mais importante do ano e precisamos dispara-lo para TODA A NOSSA BASE!

Esta já era a terceira discussão que Marta tinha com Dr. Moreno, o brilhante CEO de uma inovadora companhia de software. A empresa tinha tido muito sucesso com sua tecnologia proprietária conhecida como Capacitor de Fluxo™. Porém, o Capacitor começava a enfrentar a concorrência de novos competidores ágeis com soluções semelhantes baseadas na nuvem. O próprio Dr. Moreno havia contratado Marta um ano antes, como a responsável do marketing para “levar a empresa rumo ao futuro digital”!

No entanto, a viagem temporal tinha saído pela culatra. Ao invés de viajar 10 anos para o futuro, a direção foi invertida. Agora ela se encontrava presa no marketing massivo de 2005!

···

Tendo vivido em 2015, Marta sabia que era possível criar mensagens personalizadas de acordo com o interesse de cada público alvo, e que elas poderiam ser disparadas automaticamente conforme o consumidor realizasse atividades que o levassem adiante em sua jornada de compra. Ela havia visto empresas terem muito sucesso desenvolvendo mensagens baseadas em conteúdo relevante, não em mensagens promocionais de produtos e serviços. Também havia experimentado na prática a satisfação do marketing multicanal, sendo reconhecida por uma marca em uma loja física, mesmo tendo realizado sempre compras online.

– Doutor Moreno, eu sei que isso pode ser difícil de acreditar, mas eu venho de uma época em que o marketing não se baseia mais em campanhas! Lá, a informação que o cliente busca precisa estar disponível no momento em que ele quiser, e no canal que ele preferir. Não podemos simplesmente disparar um email para toda a nossa base e torcer para que o cliente precise de nosso produto naquele momento!

– Mas, Marta, isso não faz sentido! Esse é o lançamento mais importante do ano e precisamos garantir que todos os nossos clientes o conheçam.

– Dr. Moreno, eu entendo a importância deste lançamento, mas atirar para todos os lados não é a melhor estratégia. Em primeiro lugar, a maioria dos contatos em nosso mailing já é nosso cliente e dificilmente vai comprar uma versão levemente melhorada de nosso produto. Outros contatos ainda estão numa fase inicial de pesquisa e não serão motivados a comprar simplesmente porque dizemos que é o lançamento! Precisamos criar uma mensagem direcionada apenas àquelas pessoas que já demonstraram o interesse na nova versão. Além disso, também podemos criar conteúdo que ajude outras pessoas que ainda não tiveram contato com nossa marca, e começar a cultivar um relacionamento com essa audiência baseada numa experiência de conteúdo!

– Dona Marta… Não sei do que você está falando! Garanta que a newsletter de lançamento saia até o fim do dia ou você está no olho da rua!

A cada tentativa frustrada de trazer o marketing da empresa de volta ao presente, Marta sentia sua relevância como profissional se desfazer. Afinal, porque era tão difícil voltar ao marketing de 2015?

O primeiro obstáculo era mudar a mentalidade do Dr. Moreno e de outros profissionais mais experientes da empresa. Afinal, porque mudar o que já funcionava há tempos? Era difícil convencê-los de que o que havia trazido a empresa até aqui, não seria o que a levaria a novos patamares. Isso também explicava porque o novo marketing praticado em 2015 era geralmente feito por empresas mais jovens e com mentalidade mais aberta.

Mas não era apenas isso. O marketing da década de 2010 era cada vez mais justificado por resultados. Muitos departamentos de marketing eram vistos como fonte de receita, não como fonte de gastos. O mundo digital permitia medir o ROI com precisão, e era isso o que os grandes executivos queriam ouvir. No entanto, implementar sistemas e processos para permitir a correta mensuração do ROI exigia o apoio do alto escalação e da área de vendas, o que nem sempre era fácil de conquistar.

Por fim, a própria tecnologia era, muitas vezes, um impedimento. Apesar de possibilitar diversos avanços na qualidade do marketing, ela exigia novas habilidades dos profissionais de marketing. Marta precisava se reciclar, mudar de atitude e partir em busca dessas novas habilidades. Além disso, sua equipe e provedores também precisavam possuir essa nova mentalidade.

Foi então que uma ideia atingiu Marta como um raio: era preciso um novo combustível para impulsionar as vendas do Capacitor de Fluxo™! O produto era movido a plutônio, um material difícil de obter e operar. Marta havia ouvido rumores que certos clientes estavam modificando por conta própria o Capacitor para que ele pudesse funcionar com biocombustível. Talvez a empresa pudesse ajudar os clientes produzindo uma série de vídeos com informações e dicas sobre o plutônio e outros combustíveis alternativos para o Capacitor!

Marta não tinha certeza se funcionaria. Mas sabia que, se não quisesse ficar para sempre presa no passado do marketing, precisava tentar!

To be continued (?)

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