Tem coisa que a vida nos ensina e por muitos momentos custamos em aprender.
Quem nunca ouviu de seus pais “não faça isso…” e não vemos explicação pela proibição?
A uns anos atrás, eu era um jovem estagiário de um órgão público e tinha as sextas de folga em todo mês de julho.
Naquele ano, eu e meus amigos saímos na quinta após o trabalho direto para a praia mais famosa da região e voltávamos na segunda de manhã direto para o trabalho.
Era super empolgante e divertido, a adrenalina de emendar os lugares, a alegria de desfrutar de uma boa praia com os amigos…
Fizemos isso por todos os fim de semana de julho, alguns dias antes do último fim de semana, meu pai feio me perguntar se eu iria viajar como de costume e eu respondi que sim, todavia ele estava diferente dos fim de semana anteriores, havia um tom de voz preocupado que me passou despercebido no momento.
Enquanto eu organizava a mala para ir trabalhar e emendar a viagem, meu pai me questionou porque eu precisava ir se tinha ido o mês todo, se não poderia ficar em cada no último fim de semana.
No entanto, eu respondi que justamente por ser o último fim de semana que queria ir. Ele mais preocupado que o normal, perguntou se eu pelo menos levava o rg comigo, que por a caso eu não tinha costume de usar…
Cheguei a ficar com raiva e mesmo ele dizendo pra eu não ir e pedindo que eu andasse com o rg, eu fiz o que queria, fui pra praia mas coloquei o rg na mala…
Chegamos a noite e sabe como é praia… tudo é muito rápido e muito diversão… mal havíamos chegado e já estávamos reunindo os amigos pra sair, que acabamos nem retirando as malas do carro.
Fomos comer e voltamos por volta de uma da manhã, fomos em direção da casa que era bem próximo da praia, porém perto de chegarmos, encontramos um carro que ficou fazendo zig-zag na nossa frente.
Engraçado que eu era um dos mais animados até entrar no carro para a volta, de um minuto pro outro e sem explicação, fiquei frio e quieto, voltei com fone de ouvido e coloquei o sinto de segurança como de costume. Porém meus amigos não usavam e diziam que não se usava na praia…
Após várias tentativas fracassadas de ultrapassar o carro sinistro, pedi para o motorista que tentasse mais uma vez, nesse momento eu tirei o sinto de segurança e me virei para olhar qual era o verdadeiro estado do outro motorista.
O vi porre, quase dormindo no volante, foi quando senti como se estivesse voando, olhei para o motorista e já estávamos capotando a mais de 100 km/h tudo é muito rápido, porém pra mim não foi… ao ultrapassar sem ter a visibilidade completa da pista, não percebemos que estávamos muito próximo de uma curva muito acentuada, foi quando o eixo esquerdo do carro quebrou, o nosso motorista tentou fazer a culta nessa velocidade após a ultrapassagem, porém o carro não aguentou, com a alta velocidade e com a direção toda virada para efetuar a curva, o eixo esquerdo não aguentou e quebrou, viemos a colidir com o meio fio que dividia as pistas e fomos arremessados por mais de 300 m com 3 capotagens e meia de frente…
Lembro como se fosse ontem que eu estava com a perna direita dobrada e o pé direito abaixo da perna esquerda, minha mão direita estava no apoio superior lateral do carro e quando percebi o que ficou gravado em câmera lenta na minha mente, se resumiu em segundos tão rápidos que não tive nenhuma ação…
O apoio da mão quebrou com o impacto, fui jogado de cabeça no painel do carro, meu corpo ficou voltando do painel pra cadeira, cadeira pro aparelho de som, do som pro vaco entre uma cadeira e outra, votando com o rosto no volante e findando com o meu maxilar colidindo com o joelho do motorista que veio me desmaiar…
Minutos após o carro parar de lado na pista, acordei em meio a muitos vidros pois o carro encontrava-se com os vidros todos fechados ao colidir, o motorista estava despertando em meio o banco e o volante, porém não encontrava meus amigos que estavam no banco de trás…
Após perguntar pro motorista o que havia acontecido e perguntando o que teria acontecido com o resto das pessoas do nosso carro, percebi que era muito grave nossa situação.
Já havia cercado nosso carro e achavam que todos haviam falecido no acidente, mas ao ouvirem nossas vozes, resolveram virar o carro e tentar abrir as portas.
Inexplicavelmente só a minha porta abrir e assim que sai do carro caminhei todo o percurso do acidente em busca dos meus amigos que haviam sumido…
Após não encontrar e como minha visão se encontrava turva devido os vários baques na cabeça… me sentaram na calçada enquanto esperávamos a ambulância.
Nesse meio tempo outros amigos e curiosos, iam até mim e ficavam falando que eu havia fratura o rosto, outros diziam que tinha perdi dentes…
Eu já sem força nem para responder alguma coisa, sentia algo fraturado dento da minha boca, mas não sabia a gravidade da situação.
Foi aí que reconheci meus amigos que estavam no banco de trás vivos e muito bem e fiquei mais calmo, como se a força voltasse aos poucos.
De repente, uma das pessoas que estaria retirando o carro no local, sentou ao meu lado e perguntou quantas haviam morrido, eu já mais calmo, respondi que ninguém, que todos os 4 passageiros contando comigo, estavam vivos pra honra e glória do Senhor.
Ele assustado me falou que em um 0 anos, nunca havia visto alguém sobreviver ao um acidente tão feio como esse…
Logo me toquei que era um milagre e comecei a glorificar dizendo que é um milagre divino.
Foi quando meu maxilar se soltou, o lado esquerdo caiu junto com o meio que havia fraturado, estava literalmente igual o “duas caras”.
A dor era enorme e começou a sair muito sangue, porém parecia sangue coagulado, quase como se fosse um creme…
Foi quando descobri que ja tinham mais de duas horas do achando para emergência e ninguém aparecia para nos resgatar. Teria ocorrido outros acidentes se não tive a prontidão dos polícias militares que isolaram o perímetro e deram segurança ao local.
Pedi para um amigo que estava por perto, que me levasse no carro dele para o hospital, tentei me levantar e logo vi que a minha situação era a mais grave entre todos…
Meu pé direito está literalmente uma bola e roxo, não conseguir suportar a dor e me apoiei na perna esquerda, que por sua vez estava com o joelho deslocado…
Após ser carregado e levado ao hospital mais próximo… começou uma longa novela, que veio a combinar com pedido de leito por amigos de amigos em um outro hospital de referência, duas cirurgias mal sucedidas no meu maxilar e a terceira que vim a ter parada cardíaca e muitas complicações pós cirúrgicas…
Aí me lembro da última conversa que havia tido com meu pai, na qual ele havia me pedido que não viajasse, parecia que ele sentia algo e mesmo sem saber explicar, graças a insistência dele eu levei pela primeira vez o rg comigo e justo nessa vez eu precisei muito…
De uma cirurgia que parecia ser simples no maxilar, passei por três longas experiências em uma mesa metálica fria…
Na última cheguei a ouvir meu coração parar atrás da máquina de batimentos, mas não conseguia me mexer e não sentia meu corpo, tentava respeitar mas era como se não houvesse corpo.
O desespero era tamanho que tentava gritar e não conseguia pronunciar nenhum som, mas dá que forma mesmo, em pensamento, eu pedi ajuda a Deus e tudo se tornou vazio…
Após acordar, me vi em uma situação diferente das últimas cirurgias, havia sangue pelo chão, uma médica com sangue na roupa e as outras pessoas pálidas como se tivesse visto um vantagem.
Fui levado pro me quarto, com efeito de morfina eu dormia, acordava e delirava…
Os médicos chegaram a me explicar o ocorrido, porém nunca quiseram assumir que eu havia tido parada cardíaca e várias complicações na cirurgia.
Alguns dias depois pude voltar para casa e estava tão feliz por poder ir para casa que nem me preocupa com o resto.
Passei 67 dias sem poder comer nada e podia ingerir líquidos, visto que meu maxilar está preso de uma forma que eu não conseguia abrir a boca.
Emagreci mais de 20 kg nesse dias, mas a alegria de viver e de depois de alguns meses voltar a comer normal, foi surpreendente.
Tive muita dificuldade para voltar a mastigar, mas como quase não gosto de comer pouco… me adaptei a situação é fui ingerindo gradativamente os alimentos mais consistentes e sólidos.
Foi um ano muito difícil, mas me trouxe muitas lições e exemplo de vida. Pude conhecer quem de fato era meu amigo e esteve presente em todos os momentos difíceis, como também percebi o quão agraciado eu era por ter uma família maravilhosa que se empenhou em me ajudar e a estar cuidado de mim.
Descobri que havia de fato um Deus que cuida de todas as coisas e que me ama de verdade, me livrou da morte como a todos os meus amigos.
Hoje não sei por que razão estou compartilhando essa situação, mas deixo aqui o meu exemplo de milagre, mesmo que você não acredite ou não se importe, não terei problema, pois eu sou um milagre e vivo esse milagre.
Os médicos diziam que eu teria que passar por mais cirurgias para reconstruir meu rosto e se em cinco anos teria que fazer uma raspagem na platina no meu maxilar…
Porém ada foi preciso, já se passaram quase 10 anos e não precisei de plástica e nem de raspagem para recuperar o movimento do maxilar…
Dou glórias ao meu Deus que me livrou e cuida de mim. Vou muito feliz por ter essa nova chance de viver.