Acredito

Que perdão é poder e uma espécie de escudo.

Acredito que alguma força tenha a inveja, nem que seja para motivar atos concretos, mas quem responde de boa fé e um sorriso é inocentado. Os tiros de mau olhado não pegam.

Sempre me pautei por perdoar e sequer lembrar o nome, e não pedir nada a qualquer deus ou entidade, não acreditar em nenhuma força mística.

Lei do retorno, karma? São explicações triviais e até infantis para o caos da vida. Um desejo de não admitir que na realidade há injustiça sem qualquer perspectiva de reparo.

Mas pode haver perdão por aquele que sofre o dano.

Vale a pena perdoar, porque toda força do ser no mundo vem da mente sã. Racional ou irracional, o sentido da história só pode ser construído por quem vive.

Perdoar significa ser superior ao caos, dar uma resposta altiva ao inevitável, àquilo ou a quem não controlamos.

Não acredito na desistência de uma vida com justiça, mas acredito na resistência perante a decrepitude do mundo – e uma espécie de dever de cultivar a paz para quem quer se manter em paz.