“Você não devia estar na aula?”

Uma boca, dois ouvidos, pares de mãos e de braços, pernas e pés. Um corpo perfeito com cílios que barram o suor de chegar aos meus olhos. É tudo matéria.
Uma porta, uma mesa, um quadro, oitenta cadeiras de madeira maciça. É tudo matéria.
Eu vejo, eu toco, eu sento. Encontro de matéria.
Eu penso, eu desejo, eu sinto. Desencontro.
Porque nesse um corpo existem outros corpos feitos de não-matéria. Corpos que viajam e habitam outros corpos. Feitos de vontades e de saudades. Que fogem da morosidade e do cheiro de velho. Buscam uma nova emoção e um perfume bom. Se perdem na memória de uma voz ou de uma canção.
Aqui se encontra meu corpo, casa de tantos outros, que em meio a tantos desencontros, também quer encontrar o teu.

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