Morada

Eis aqui, meus caros, a minha morada.

Ela não fica perto de nenhum centro. De nenhuma cidade.

Ela é do campo. Onde os campos de girassóis nascem, onde o sabiá gosta de ficar, onde minha cabeça repousa para descansar.

Atrás dela passa um rio. E por incriveel que pareça, a noite faz muito frio!

Minha estrutura parece fraca e gelada, toda feita em madeira, com vários rachados nas paredes.

Só que não se engane tanto: não é fácil de derrubar.

A aparência é até bonitinha.

Formosinha.

Cores claras, tons pastéis. Quem olha de longe acha que é demais. Quem olha de perto tem suas dúvidas, mas quem entra, vê como é: problemas com a luz; de vez em quando ela fica no escuro. É preciso esperar o sol nascer para se ver o que tem dentro.

As camas estão quebradas; sempre faz um crac quando deitam em cima. A chaminé entope de vez em quando… faz fumaceira dentro da casa! Confunde tudo, cega os olhos. Mas quando concerta, é a melhor parte da casa! Ela aquece tudo a sua volta. Parece até que te protege.

Todo dia de manhã é uma novidade: alguns canos entopem, algumas portas soltam… ou não!

Minha morada é modesta, cheia de problemas. Uns julgam como ruim, outros gostam de estar lá.

Mas é minha morada.

Meu refúgio.

Meu eu.

Ela é a minha paz.

Venho sem medo, sinto a brisa, sento na varanda, e quando estou confortável, entro e fico.

Essa é a minha. Como é a sua?

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