É muito mais que o amor. Mesmo.

Quando o Vanguart lançou o seu último disco.


Tanta gente moderninha que acha legal ir ao SESC Pompeia, tanto fã devoto que estava ali para mais um show de sua banda favorita, e tanto curioso que apenas queria ver qual é desse disco novo. Isso foi em um sábado. Tinha uma Lua grande ali na capital. Eu estava lá para ver o Vanguart. Saber o que era muito mais que o amor.

A tal banda que ganhou repercussão por conta de um single onde cantavam sobre uma terça-feira estavam agora lançando um novo trabalho e sob uma nova perspectiva. Da primeira vez que os vi ao vivo — lá em 2010 -, quando ainda colhiam frutos do bem criticado primeiro disco (lançado em 2007), eu achava bacana a geografia toda de ver uma banda de Cuiabá tocando em uma Virada Cultural na cidade em que eu morava. Nada mais.

Após quatro anos chega o disco Boa Parte de Mim Vai Embora e a partir daí sim passei a prestar atenção em tudo que eles produziam. Sempre tão novo, nunca engessado.

Vanguart conseguiu se estabelecer em São Paulo como banda e essa transição entre capitais tornou-se evidente no segundo disco, entretanto nesse novo trabalho as mudanças se concretizaram e agora eles cantam o amor com um outro coração.

O show atrasou aqueles minutos corriqueiros e tudo se iluminou com uma linda projeção no fundo do palco. Imagens delicadas somadas a uma narração de uma carta. Após isso a banda surgiu e abriu a noite com a já conhecida Estive. Dali pra frente era nítida a segurança de cada um diante ao que estavam cantando e tocando.

Entre vídeos e algumas canções antigas, como Cachaça e Nessa Cidade, a banda se revezava entre diversos instrumentos. Até a bela e, nitidamente, talentosa violinista Fernanda Kostchak arriscou ali no teclado.

Quando chegou a vez de Escalada das Montanhas de Mim Mesmo, Helio Flanders mostrou que evoluiu também como intérprete — e não só como compositor -, cantou, quase que contando, de forma pessoal uma saudade de si mesmo. E em Pra Onde Devo Ir, cantou dúvidas sobre o tempo, sobre o outro, sobre um lugar ainda não encontrado. Tudo até aquele momento estava coeso: a banda, a interação bonita entre os integrantes e, principalmente, as canções.

A parte final do show serviu para mais canções de outros discos como a clássica Semáforo (com direito a violino), Se Tiver Que Ser Na Bala, Mi Vida Eres Tu, Para Abrir os Olhos, …Das Lágrimas. E a última canção foi cantada. E a última carta foi lida. A luz apagou. Os moderninhos e os curiosos se foram, os fãs ficaram, e eu parti acreditando que o simples e o belo que o Vanguart cantou naquele sábado era muito mais que amor. Mesmo.

créditos das fotos


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