
A delicadeza dos retratos íntimos de Otto Stupakoff
Foi observar os retratos familiares feitos por Otto Stupakoff para entender toda a sutileza e delicadeza de sua obra. Não que não seja possível vislumbrar essas qualidades nos seus ensaios e trabalhos editoriais, porém nos álbuns de família a suavidade e beleza parecem ainda mais presentes.
O paulistano Otto Stupakoff (1935–2009) virou lenda na fotografia de moda nacional e internacional a partir de trabalhos para revistas como Vogue, Harper’s Bazaar e Manchete. Foram inúmeros ensaios com modelos renomadas e retratos de artistas, entre eles Sharon Tate, Jorge Amado e Truman Capote.
Ao contrário de uma crença ainda propagada por alguns no meio fotográfico, que separa em qualidade artística e criação poética um trabalho para fins pessoais de outro para fins comerciais, os editoriais de Otto parecem aspirar tanto a uma página de revista quanto ao fine art. Há poesia, elegância e uma certa simplicidade na sua maneira de fotografar modelos e artistas. E não é diferente com suas imagens mais íntimas.
Fui pega completamente de surpresa pelos retratos de Margareta Arvidsson (1945 -), modelo sueca belíssima, eleita Miss Universo em 1966 e casada com Otto por nove anos. Ao visitar a exposição Otto Stupakoff: beleza e inquietude, no Instituto Moreira Salles do Rio de Janeiro, que ficou aberta de dezembro de 2016 até abril deste ano, o seguinte retrato saltava aos olhos:

Sutileza, carinho, paz. A imagem parece resumir todos os sentimentos que, juntos, evocam o amor.
Assim como os retratos íntimos de Margareta, vários outros foram feitos na mesma linha, seja explorando o universo feminino seja registrando seu universo familiar, composto por seis filhos, de três casamentos, e onze netos. E a estética documental das fotos, um tanto espontânea e natural, junto à delicadeza própria das cenas de Otto deixa as imagens ainda mais particulares e genuínas.
Como explica o curador Sergio Burgi no texto da exposição, “a obra de Otto Stupakoff se aproxima daquilo que Umberto Eco, em sua História da beleza (Milão, 2004), definiu como a beleza inquieta do Renascimento, em que forma, proporção e equilíbrio convivem com estranhamento e inquietação”. O combo perfeito para uma grande obra.







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Post originalmente publicado no blog Plastia Magazine.
