Arte e tecnologia a favor da cidade que queremos

[11/07/13]

O Continuum, IV Festival de Arte e Tecnologia do Recife, debate sobre a cidade e suas possibilidades. Segue até dia 21, no Centro Cultural dos Correios

A discussão da harmonia entre espaço urbano e sujeito que o ocupa não é de hoje. A verticalização, o afastamento do tráfego pedestre, o falho mecanismo de participação direta no poder municipal, desocupações, entre outros entraves, criam uma representação de cidade controversa para aquele e aquela que a habitam. A discussão desses assuntos será levado a Continuum, 4º Festival de Arte e Tecnologia, que traz como tema “A cidade que vive em mim” e acontece no Centro Cultural dos Correios, no Bairro do Recife.

A escolha do tema, segundo o curador e diretor-geral do festival, Antonio Gutierrez, Gutie, é um desejo antigo, por se tratar de uma questão sempre presente e discutível. “O cidadão tá insatisfeito com a cidade em si como está. O que os poderes públicos oferecem é muito precário — e não à toa culminou nessas manifestações em junho. Os discursos nas campanhas eleitorais estão vazios; se você analisa, percebe a frouxidão na profundidade em acordo com nosso tempo. Estão deslocados, fora do que a cidade está precisando”, e aproveita para falar do simbolismo de realizar evento, que concentra arte, tecnologia e estética, no centro do Recife, principal lugar a comportar cenas artísticas e um dos maiores pólos de tecnologia do Brasil, o Porto Digital. “É um ambiente geográfico que favorece o festival”.

A programação é densa e se divide em seminários, exposições e instalações, sonoridades, mostra de vídeos e mostra de games. Dentre os seminários, que devem discutir o relacionamento da sociedade entre si e com a rua a partir da dinâmica de transformação das cidades, destaque para a Mesa 1, “Metade roubada ao mar, metade à imaginação”*: desafios cotidianos da convivência nas cidades” que traz como palestrantes o escritor e jornalista Xico Sá e fundador da Porto Marinho Ltda., Claudio Marinho, com mediação do sociólogo Beto Azoubel.

Quem se entusiasmou com certo viral nas redes sociais durante ano passado, no qual imagens históricas da cidade do Recife em meados dos anos 60 e 70 eram divulgadas, pode conferir a exposição “O Recife que vive em mim”, do pernambucano Claudio Marinho, que reúne doze fotografias autorais e de acervo, desde o século 20 até os dias atuais — e a dividir suas próprias memórias da cidade no Facebook do autor, durante o festival. Na mostra de games, destaque para Sincity (Maxis), remake do SimCity, lançado em março de 2013, que, com alto nível de realismo na administração das cidades, aborda problemas ambientais e desafios urbanos. “Apesar dos games serem produzidos fora do Brasil, tivemos a preocupação de trazer alguns que tenham relação com cidades brasileiras”, afirma Gutie. Na programação sonora, os pernambucanos Chico Correa e Dj Dolores, Grassmass, Dmingus; além do músico paulista Astronauta Pinguin. Todas as atividades do evento são gratuitas.

*matéria publicada no caderno Programa, da Folha de Pernambuco