As versatilidades dos cobogós

Cobogó Luna, da marca Solarium. Foto: divulgação/Solarium

Os cobogós, ícones da arquitetura pernambucana, foram criados e patenteados em 1929 por Amadeu Oliveira Coimbra (português), Ernst August Boeckmann (alemão) e Antônio de Góes (prefeito do Recife duas vezes entre 1922 e 1935), no que recebeu a junção da primeira sílaba de seus sobrenomes. À época, a ideia dos elementos vazados, feitos de cimento, era tão somente funcional: permitir a circulação do ar natural do mar. A caixa d’água de Olinda, de 1934, é um exemplo clássico e pioneiro do uso de cobogós na fachada.

Popularizados pelos arquitetos Oscar Niemeyer e Lucio Costa, os cobogós foram relegados e substituídos por materiais mais modernos. Como nada se cria, tudo se transforma, as paredes ventiladas (consequentemente, a economia de energia) e o custo relativamente baixo fizeram com que os cobogós voltassem mais charmosos em pedra, vidro, plástico e até resina.

A arquiteta Ana Cristina de Souza Gomes, presidente da Solarium Revestimentos, comemora o ótimo rendimento de suas linhas (Nuance, Luna, Sensation e a premiada Atoll): “O cobogó voltou a ser usado com muita força. Os dois modelos lançados no ano anterior venderam muito bem. E pelo que vimos na Expo Revestir, os dois novos também tiveram grande aceitação”.

Ana Cristina explica que os modelos não oferecem vantagens específicas além da ventilação e iluminação, só variando na forma. Quanto a essa volta dos cobogós, a arquiteta acredita que é preciso sair um pouco dos interiores. “Os arquitetos ainda estão muito tímidos na utilização, preferindo usar para paredes internas, para zonear o jardim, para um efeito em um bar. Mas ainda não usamos para fachadas, e acho que este é o desafio da equipe Solarium, mostrar as melhores maneiras de utilizar o cobogó”.


  • matéria publicada no suplemento Revista da Folha, da Folha de Pernambuco, em 26/03/14