Magiluth comemora nove anos com “Viúva, porém honesta”

[14/09/13]

foto: divulgação/sérgio silvestre

Setembro começou a mil para o Grupo Magiluth. Mal terminado o projeto “Pague quanto puder”, correram para participar do Festival Internacional de Londrina (FILO), pegarão o Porto Alegre em Cena próxima semana e se apresentam até o fim do mês em São Paulo, Santos e São Caetano, pela Mostra Sesc de Teatro de Rua. Ontem, ainda estiveram aqui pelo Festival Aldeia Yapoatan com “Luiz, lua, Gonzaga”, no Dona Lindu. É somente hoje, no entanto, com a apresentação da premiada “Viúva, porém honesta”, às 19h, no Teatro de Santa Isabel, que podem parar e comemorar a trajetória nos exatos nove anos de pesquisa em teatro de grupo.

A proposta da peça foi ideia do diretor Pedro Vilela que viu na farsa irresponsável de Nelson Rodrigues a obra que mais tinha a cara do grupo. A anarquia, as inovações — como todas as personagens serem divididas entre os atores, numa rapidíssima troca durante o palco -, e as excelentes e sarcásticas interpretações dão um novo vigor a obra rodrigueana. “O “Viúva…” é muito representativa em relação a pesquisa que viemos desenvolvendo nesses nove anos. Quem o viu, percebeu referências de todos os nossos trabalhos, desde o primeiro (Corra) até o anterior (“Aquilo que meu olhar guardou pra você”)”, diz o diretor quanto à escolha da peça.

São sete espetáculos, atividades formativas e criação de festival independente, o Trema! (Festival de Teatro de Grupo do Recife) — com segunda edição prevista para outubro, que trará cinco grupos de outras regiões, além da incerteza se participarão desta vez. Com essa bagagem, o grupo reflete sobre o momento atual do teatro e proposições diversas em torno da cidade, além da força do Teatro de Grupo, que discutem no Movimento GRITE — Grupos Reunidos de Investigação Teatral. “Não tivemos, nesses nove anos, somente a criação de trabalhos como foco principal, mas a pesquisa em torno do teatro, de experimentar possibilidades. Com o ótimo resultado do ‘Pague quanto quiser’, por exemplo, já deu para perceber que há no público a necessidade de se pensar em política cultural e novas possibilidades do teatro para a cidade.”

Essa preocupação em criar interações urbanas é refletido nos dois espetáculos de rua no repertório “Ato” e “Luiz, lua, Gonzaga”. “É prazeroso celebrar hoje. Mas não queremos fazer do teatro um ambiente fechado. Não queremos teatro burguês. E por isso tiramos a poeira que andam colocando no teatro de Nelson e demos um novo olhar para ele.”, alfineta Pedro.

PROJETO - A segunda edição do “Pague quanto puder” para o próximo ano não foi aprovada pelo Funcultura. Pedro Vilela, no entanto, afirma que o projeto deve acontecer por conta própria.


*matéria publicada no caderno Programa, da Folha de Pernambuco

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