O mais do mesmo de Rio 2

[27/03/14]

Os 70 milhões de espectadores e US$ 484 milhões de bilheteria do primeiro filme de Rio (2011) fizeram com que tão logo a Fox e a produtora Blue Sky decidissse pela continuação. Às vésperas da copa, Rio 2 estreia hoje nos cinemas, em cópias 2D e 3D, e dá continuidade à identidade brasileira dos olhos maravilhados e quase gringos (radicado há mais de 20 nos EUA) do diretor Carlos Saldanha. Se a primeira parte carioca inevitavelmente cai os holofotes nos estereótipos que os estrangeiros têm do Brasil, esta segunda complementa com as florestas. A boa notícia é que o filme, ainda mais focado no público infantil, é visualmente muito bonito, tem passagens divertidas e uma boa trilha, o que faz com que Saldanha mantenha seu nome como um dos principais das animações.

Rio 2 traz de volta as araras-azuis Blu e Jade. Agora com uma família, as aves descobrem que os pesquisadores que as criaram se encontram na Amazônia e estão crentes de que há outras espécies daquele tipo na região. Do Rio, cenário somente do começo do filme, a trama pula para a Amazônia, onde alguns clichês acontecem, como a richa de Blu com o sogro e o ex de Jade, e a volta do vilão do primeiro filme (Nigel), embora esse mesmo Nigel está mais para uma figura cômica, e nos surpreende rendendo alguns dos melhores momentos com suas performances, como em sua versão folk-rap de “I will survive” (em parte escrita por Jemaine Clement, do Flight of the Conchords). Logo após, há uma audiência para descobrir talentos, numa referência à cultura norte-americana importada para o Brasil, que é outro ponto alto; assim como o próprio Blu, agarrado à sua pochete e GPS, tem sua graça.

Há uma boa intenção de Saldanha em abordar a exploração da Amazônia, mas que perde a força com o empresário da madereira, um caricato gênio do mal que enfraquece não somente esse tema, como o próprio filme. E quando você acha que o futebol será esquecido neste, eis que as aves, gringas ou não, também estão ansiosas pelo campeonato.

TRILHA — Produzida por Sérgio Mendes e Carlinhos Brown (indicado ao oscar de melhor canção original por “Real in Rio”, em 2012, quando perdeu para “Man or Muppet”, de Bret McKenzie, também do Flight of Conchords), a trilha tem músicas das bandas brasileiras de instrumental e percussão Uakti e Barbatuques, e ritmos como maracatu e carimbó.

*matéria publicada no caderno Programa, da Folha de Pernambuco