Quero comentar muitos pontos do seu texto, Diego. Achei ótimo porque ele me fez pensar sobre como eu vejo a escrita, a leitura, o Medium e o sonho de ser escritora.
Sobre essa questão do “você morreria se nunca mais pudesse escrever?” x ter ficado anos sem escrever, eu considero mais complexa do que aparenta. Eu sempre digo — ou dizia — que fiquei alguns bons anos sem escrever, mas eu jamais parei de escrever de fato. Estranho, né? Pois é. Eu fazia pequenos parágrafos na última folha do caderno da faculdade, eu sentia o impulso e contava histórias curtas oralmente e escrevi nessa época diversos textos de opinião. Eu escrevia quase sem perceber, sabe? Era algo que me escapava. Não tinha propósito de sonho e nem nada, mas cada linha que fiz nessa época são encaradas pelo meu eu atual como uma amostra de como a escrita faz parte de mim. Sua experiência pode ser bem diferente da minha, mas eu fico pensando que se você voltou a escrever, há algo na escrita que te faz encará-la, ao menos de certa forma, como parte de quem você é.
Para mim, as diversas formas de expressão que existem são uma maneira da gente se colocar no mundo e é uma coisa meio de sobrevivência, mesmo que não seja um impulso tão essencial como a fome, a sede, o sono e a vontade de ir ao banheiro.
Sobre a questão de muitos de nós estarmos aprendendo a escrever, cometendo erros, falhando bastante e experimentando, eu vejo como parte do processo. Todos os escritores que a gente encara como “prontos” passaram por isso, porque escrever bem é exercício. Quando vejo algo muito bem escrito e incrível por aqui, eu tento pensar que um dia vou chegar lá, porque estou trabalhando para isso. Nessa hora, me bate uma vergonha de expor por aqui coisas não tão boas, claro, mas tento transformar esse sentimento em “o que posso fazer para melhorar?”. Sempre concluo que seria bom não publicar tudo que escrevo logo após terminar, mas continuo cometendo esse mesmo erro over and over again. Espero que um dia eu possa chamar isso de estilo ou conseguir um editor para me corrigir.
Continuei o papo pelos comentários mesmo por encarar isso como um exercício de diálogo que você mesmo disse que vai se propor a fazer e peço desculpas pela falação. Abraços!
